Por muito caminhei só.
No isolamento de meus afetos me via presa em um desejo indesejável. No erro de meus atos, na insistência de comete-los e na vontade de fazer e ser cada vez mais.
Primeiro veio a negação. Eu nego você. Eu tranco você e assim você não existirá. Ou pelo menos ninguém saberá que te carrego em cada passo, em cada fala, em cada ato. Volte para dentro desse buraco pulsante de erros. Fique ao menos quieta. Não quero te ver, não quero que seja parte disso.
Depois veio a aceitação. Não conseguia mais te esconder. Para onde eu ia lá estava você me olhando e me entregando. Percebi que ou te abraçava como amiga e seguíamos juntas ou eu morreria por tentar destruir o que me dava vontade de viver.
Por fim, chegou o orgulho. Quando finalmente consegui te olhar nos olhos e ver o quanto você era bonita. Que idiota era em te repelir. De fato, você era a melhor parte que me constituía. Sua beleza nem todos vêem, mas eu vejo. E como quem sai da caverna quero que as outras pessoas também saibam: deixem vossos desejos saírem e caminharem com vocês.
Hoje ouso dizer seu nome. Eu grito que você está em mim constituindo meu ser. A palavra não dói mais e já não tenho medo de me associar a você. Obrigada por ter berrado tão alto ao ponto de não poder te ignorar mais.
Hoje eu transbordo.
:)
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