domingo, 31 de maio de 2015

[POR UM NOVO MODELO DE PENSAMENTO: A REDE DE CONEXÕES COMO PRÁTICA SÓCIOEDUCATIVA]

A rede de conexões é um modelo pós-moderno de pensamento que se aproxima do modelo rizomático fabricado pelos filósofos pós-estruturalistas Gilles Deleuze e Félix Guattari. 

Ela é um sistema aberto te tentacular que se opõe ao modelo da árvore estruturalista, é um pensamento que se autoproduz sob uma coleção redes de interconexões, onde tudo se mistura: matérias, partículas, átomos e intensidades; corpus, máquinas e afetos. 

Um pensamento que se constrói entre os meios e as linhas evolutivas que vão se tecendo de acordo com o percurso. Não há início nem fim, apenas meios transbordantes equipado por uma heterogeneidade de eixos e forças por onde o nosso pensamento percorre e se conecta. 

No encontro com as forças singulares que percorrem o ciberespaço, o pensamento se desdobra a novos eixos. Um pensamento mutante mais ligado a produção da diferença do que a reprodução do eterno retorno da máquina burocrática capitalista. 

Não há sistemas fixos e fechados neste modo de produção, apenas sistemas interdisciplinares, interconectados sob um mesmo arranjo processado por alianças e simbioses. Na simbiose entre duas ou mais forças, uma nova potência surge. 

Como prática educativa, é uma força criacionista que nos insere em uma nova superfície de peças e ferramentas, que dê conta de captar as nuances dos novos espaços-tempos produzidas pela atual mutação tecnocultural da pós-modernidade. 

A aula como uma performance estética e sobretudo, política, se autoproduz no seio de uma rede de conexões e afetos entre professorxs e alunxs. Uma troca de saberes e realidades que devém a maquinar novas potências e sobretudo, forças de transgressão contra as capturas das estruturas de poder do Império Patriarcal-Capitalista, tais como o capitalismo, a heteronormatividade e o patriarcalismo. 

É também uma forma de ação e resistência aos modelos educativos cristalizados em estruturas arcaicas e muito bem intencionadas sob uma lógica burocrática e reprodutivista, a fim de manter o eterno retorno do mesmo da máquina totalitária.

COLPANI, Felipe Pancheri.

[A FABRICAÇÃO DE NOVOS SISTEMAS DE LINGUAGEM]

O desdobramento da produção desejante ao fora por meio da linguagem não reconhece gênero ou sexo. muito menos i.d. Na produção textual, ou até mesmo na fala, nossa passagem virtual se desdobra sob a mecânica biopsiquica do devir.

O mecanismo do devir segue por um caminho transversal em rede de conexões. O fluxo desejante segue conectando-se a linhas evolutivas que percorrem a heterogeneidade do ciberespaço: corpus, máquinas, acontecimentos [espaciais e incorpóreos]. 

As conexões seguem por uma multiplicidade de forças, partículas e acontecimentos que perfuram qualquer sistema de codificação. A linguagem é sistematizada por forças de captura que estão a engendrar a linguagem a um conjunto fechado e universal de regras, normas, códigos e padrões. congelando a linguagem num eterno retorno do mesmo. 

No jogo conectivo da passagem virtual ao fora, podemos percorrer por uma linguagem estrangeira, por uma mistura de potências e singularidades para a produção de novos signos e acontecimentos. Há sempre novas passagens mutantes pelos fluxos delirantes. 

A desconstrução político-cultural da cadeia simbólica universal ocorrerá na incorporação e cristalização de novos signos minoritários. da produção de novas substâncias de expressão, que surgem agora de uma interconexão entre elementos dos sistemas matérias com os elementos dos sistemas visuais das novos sistemas maquínicos. 

COLPANI, Felipe Pancheri.

[AFORISMOS DE GUERRA >> COOPERAÇÃO MAQUÍNICA. REVOLUÇÃO. ANARCO-COMUNISMO]

Queria mesmo não me importar tanto com o discurso alheio. Mas não consigo. Talvez por ter me silenciado durante tanto tempo e por saber que a realidade que vivemos é um congelamento reacionário.


Chega um momento da vida em que os gritos e sangramentos precisam transbordar. Até faz bem para o espírito e podemos usar como tática para a cooperação mutante.

<<Agrupar pelo afeto, o que nos move para intensificar o imenso desejo de transformação social. É sempre bom reforçar que os sistemas maquínicos em rede são máquinas de guerra potentes para novas militâncias do Império da Multidão, sobretudo para a evidência de uma nova contracultura>>

Temos que conviver diariamente com atos e discursos que diminuem nossa potência. E aí como agir perante a isso? Não consigo me silenciar. A violência perfura com todo o meu silenciamento interno. Sangra na alma.

Por outro lado, ainda não sei como agir perante a isso. Pois ao desconstruir o outro, podemos vir a presenciar o uso da violência sem limites e não é isso que queremos. A ideia é sempre promover o amor, a igualdade, a paz. Vejo que ainda preciso trabalhar isso em mim, nas formas de abordagens discursivas para uma mudança no outro, o fazendo divergir de sua própria ignorância.

Minha utopia é de um dia poder circular pelos territórios livremente e sem ter que conviver com a homofobia gratuita e todo esse discurso heterosexista que coloca a mulher num estado de objeto sexual, como se ela fosse apenas um pedaço de carne ao deleite dos falsos imperadores.

O que tenho percebido é que os discursos fascistas giram entorno da identidade, do ego, do eu. Parece-me que o ego veio a se tornar o grande cometa deste niilismo todo. Pois, é do senso comum pensar que somos estruturas coerentes onde o eu definiria nosso destino, nossa produção existencial, sobretudo, a produção desejante [pois fomos educados historicamente a conceber a vida por meio destes moldes reacionários, que já não se encaixam em nossa realidade atual].

Logo, o sexo e gênero não escapam desta corrente do eu. tornando-se duas estruturas que organizam a sua produção fictícia. No discurso fascista, tudo brota do gênero e do sexo, talvez seja pelo fato destas duas tecnologias de simulação definirem os papéis e destinos no campo social. Mas sabemos que não há como definir o espírito. somos meios transitórios, múltiplos, com uma virtualidade móvel e fluida.

A pós-humanidade tem nos equipado com um nova produção corporal e com uma nova subjetividade que não se assenta em estruturas organizativas. pois já vimos que toda essa organização do corpo em estruturas só veio a gerar violência sem limites [física e simbólica].

A ideia da pós-humanidade é a de produção existencial mais calcada na ética dos afetos e no prazer do que nos modelos de simulação da moralidade universal cristalizada no decorrer da história.

O desejo é uma força una, que foi aprisionada ao colocar todos os entes sob um mesmo molde [espécie humana] e pela materialização dos fluxos no decorrer da história humana.

Hoje, estamos a receber altas cargas de intensidade. Os circuítos elétricos que percorrem os corpus são demandas da livre produção desejante. Estamos vivenciando um processo de liberação do desejo, em decorrência da colocação das estruturas que congelaram o desejo em fluxo.

Neste processo de passagem de era, penso também numa ruptura fatal com o capitalismo, que já se encontra em seu processo de saturação de suas forças produtivas.

Através da cooperação maquínica entre as forças bárbaras e selvagens, penso na cristalização de um modelo social, político e econômico expresso por um anarco-comunismo.

Esta corrente deve buscar uma autogestão do campo social e uma autoregulação do universo prostético e pós-humano. O grande valor fundante deste prisma, parte dos mecanismos físico-químicos da ordem cósmica, que existencializa a igualdade, a lei do apoio mútuo e a lei da igualdade de gênero.

Mas para a materialização real desta nova produção existencial coletiva, é preciso que o Governo, a Lei da Terra, a Religião e o Eu sejam banidos, virem poeiras cósmicas inter-estelares... junto com toda os escombros do Império Patriarcal-Capitalista.

Este quatro pilares reacionários aprisionaram o homem em si mesmo [eu] e numa moral de senhor e escravo. É preciso banir o Estado e toda estrutura organizacional que inibe a livre produção desejante.

Ao gerir um novo centro político de gravidade da Terra, passaríamos a viver a vida de tal maneira que viver não tenha mais sentidos. não há sentido na vida, há apenas passagens de fluxos e intensidades que percorrem o encontro intensivo entre os corpus. o sentido é uma ideia fictícia própria da era iluminista.

A fabricação do novo motor da máquina social a partir do desmoronamento do império simbólico do capitalismo, será agenciada no seio desejante das tribos minoritárias e mutantes. O dispositivo da revolta social conectada ao intenso desejo de transformação social prepara o espírito revolucionário para transformação >> de si e do mundo.

A luta é a vida intensa. Produção intensiva de libertação do encarceramento do desejo. O corpo tornou-se impotente [estamos no século XXI e ainda mal sabemos o que pode o corpo!!!], em coma por ter lhe atribuido um organismo [o corpo em essência é sem organização].

A emancipação de si e do mundo clama pela liberdade absoluta, no dominiuum do pensamento e da ação. Sabemos que não há como agrupar todos os entes sob um mesmo molde, agrupando-os em conjuntos fechados de espécies. cada um é uma singularidade, com um conjunto específico de particularidades e um código genético singular. a produção de estruturas organizacionais inibiu o fluxo da mutação. somos entes múltiplos, transitórios e mutantes >> somos meios, não unidades!

Portanto, a revolução deve contornar o fim das fronteiras entre os corpus e também firmar uma continuidade na evolução pós-humana. Os fluxos da mutação devém a maquinar novos arranjus biopsquícos às multi-espécies de Gaia, assim como um novo sistemas operacional coletivo, que já vem sendo engendrado em nossos micro-cosmos.

COLPANI, Felipe Pancheri.



sábado, 30 de maio de 2015

Twist

Todo domingo jogo com minha mente,
Solitária, sempre perco.
Um problema.
Mão direita no vermelho.

Sem a correria, sem a rotina

O que lhe resta?
O que te mantém sã?
Outro problema.
Mão esquerda no azul.

Nesse vazio pós-moderno da modernidade

Escrevo diante de novas tecnologias
Enlouquecendo por razões antigas
Dos problemas sociais que me atormentam
Dos amores que me queimam
Pé direito no verde.
Pé esquerdo no vermelho

Nesse emaranhado que me encontro

Nos nós.
Nós nós.
Eu. Vocês.
Eu e os nós.

As pontas do sisal que não encontro mais

Se desfazem  sob meus pés e mãos
Que já sem orientação não me sustentam
Cair no chão e aguentar o frio é quase uma benção.

Levantar só para meter os pés pelas mãos mais uma vez

Rir ao cair de novo e de novo.
Encontrando graça na queda e na reerguida.

[POR UMA ATUALIZAÇÃO DA CIÊNCIA GEOGRÁFICA]

A Antropogeografia das Tribos


A Ciência Geográfica encontra-se em crise. Falência múltipla dos órgãos. Talvez ela nem venha sobreviver com o desmoronamento do Império Patriarcal-Capital, seu criador. 

Seus paradigmas tradicionais contornam a separação do homem com a natureza. Do homem com o espaço geografia. Pura ingenuidade da produção patriarcal, que separou o homem de sua natureza para a opressão e a repressão, tirando todo o caráter de ação e resistência. Temos que reconhecer a plena liberdade dos corpus, queremos a plenitude da existência, o livre desenvolvimento do espírito, em busca de uma igualdade política, econômica e de gênero. 

A Geografia como Ciência foi criada para a organização da natureza para uma divisão internacional do espaço e do trabalho. Ela ainda sobrevive por meio de conceitos que nada expressam o real enquanto ele acontece em ato. A Geografia Humana sobrevive nas sombras empoeiradas de Marx. 

Não há mais a clássica separação entre homem e espaço. Há apenas simbioses, alianças e engendramentos prostéticos. O que precisamos pensar agora é em trazer ao máximo a liberação do movimento e do fluxo, colocando as estruturas em metamorfose para novos arranjos sociais. <<O momento presente é de produção de um novo motor da máquina social>>

É preciso colocar o inconsciente, a materialidade e a idealidade em devir. Hegel, Marx, Nietzsche e Deleuze, entre outros teóricos revolucionários, estavam na superfície de um processo iniciado, e no momento já estamos submersos em um outro processo que vem se reconfigurando à uma nova condição espacial: um meio geográfico em rede, engendrando-se a um novo sistema de próteses.

Penso numa simbiose produtiva entre a Antropologia com a Geografia. Hoje, se faz importante pensar em um retorno antropo-geográfico das tribos. 

O campo onto-epistemológico da Geografia e da Antropologia precisa se voltar ao real enquanto ele acontece. O que indica se colocar no movimento da expansão geográfica das novas tribos, na heterogeneidade espacial registrada na multiplicidade cultural e na geopolítica da física termodinâmica, que concebe a produção do mundo como um atravessamento caótico de forças desejantes, que diferem em intencionalidade e estão a causar atritos e processos de encaixe e desencaixe ao espaço. 

Um movimento político de produção de conceitos que se rebate ao real. Conceitos autoproduzidos através de movimentos de fuga entre os agentes [moleculares e coletivos], mapeados em táticas e estratégias para a produção do novo e reconstrução dos valores. 

Uma retomada das Ciências Humanas como Potências Políticas, de emancipação social, de ação e resistência para os agentes sociais dos territórios minoritários.

Esta perspectiva nos retoma a Heráclito quando ele salienta que ordem cósmica do mundo é um fogo que se ascende e apaga conforme a medida. Gaia, a nossa territorialidade vital, se autoproduz em um contínuo processo espacial de encaixe e desencaixe no seio da ação humanizante.

Atualmente, assistimos a evidencia de um Império Patriarcal-Capitalista. A autoconsciência da dominação nos colocam em um choque de coalizões de autoconsciências e uma guerra de ficções científicas, onde múltiplas frentes de forças coabitam. Forças que tem percorrido dois grandes eixos de produção existencial: o fluxo [forças mutantes - bárbaras e selvagens do Império da Multidão] e o refluxo [forças hegemônicas, majoritárias e neoconservadoras) >>> duas frentes de forças que se atravessam e se complementam contraditoriamente em um mesmo processo de arranju e desarranju espacial.

O capitalismo, o colonialismo e o patriarcalismo se fundiram em um mesmo processo de expansão e produção geográfica. Três esferas de poder que se coalidiram em uma mesma produção reacionária: um imperialismo político-cultural registrado sob uma Cultura Política Totalitária, que veio a sedimentar uma realidade baseada em modelos universais para a legitimação de suas estruturas de poder e dominação social.

O imperialismo cultural da Cultura Política Totalitária do Ocidente veio a sedimentar um território de poder a Gaia sistematizado por meio de códigos binários e estruturas universais, delineando um organismo calcado em ficções científicas globais que vieram a governar a produção existencial dos indivíduos, atribuindo-lhes uma identidade social, uma cor, uma raça, uma classe, um gênero e uma sexualidade.

A produção social de estruturas racionais vieram a hierarquizar o corpus [até então sem órgãos] de Gaia, inserindo os microcosmos e a heterogeneidade espacial a sistemas de homogeneização, normatização, referenciação e padronização. Com o movimento desconstrucionista, se foi constatado o caráter fictício das estruturas que organizaram o desejo para a produção social.

As estruturas globais de poder aprisionaram o desejo por meio de um arranju cultural e normativo, inserindo-o na própria infraestrutura da sociedade, o transformando em pura força de produção para a manutenção da máquina totalitária e de suas estruturas que se conectam hoje, a uma rede de controle global.

Pensar o mundo como um processo em contínua mutação, nos coloca a conceber a produção social como uma sucessão de meios geográficos. Meios que se transformam em conexão com novos sistemas de próteses: conjunto de sistemas técnicos [sistemas de engenharia e sistemas de informação e comunicação] e sistemas simbólicos [habitus, crenças e ideologias que configuram o sistema operacional coletivo].

A Terra é um agregado metamórfico de próteses: sedimentação de estratos físico-químicos e antropomórficos pelas forças desejantes. As tribos, que são territorialidades com potências que diferem entre si, conectam próteses a Gaia em agenciamento com suas necessidades vitais. É um composto maquínico-artificial de sistemas materiais e sistemas simbólicos.

A economia política é a economia da produção social de Gaia - da produção política do território: do trabalho vivo que devém a dar novas materialidades e idealidades ao corpus sem orgãos de Gaia, preenchendo seu sistema operacional com novas intencionalidades e artificialidades.

As próteses são registros, perceptos e afetos que compõe a interelação entre territorialidade e as tribos nômades que percorrem a superfície terrestre. As tribos são as responsáveis por remanejarem constantemente as fronteiras e as produções espaciais. 

Através da história, os grupos humanos substituem as velhas máquinas sociais [meios geográficos vitais para a reprodução humana] por novos engendramentos e registros virtuais. A produção do território, portanto, ocorre no registro político da luta social. Do atravessamento caótico entre forças políticas que estão a gerar processos de arranju e desarranju no espaço, no campo imanente de uma virtualidade de possíveis que pode vir a se materializar em novas composições para a sociedade, e quiça, em novos motores. 

O processo virtual da produção imanente, precede a heterogênese do ser e em conexão com as ações das tribos humanas e não-humanas [alguns teóricos já estão a falar em um Ser Pós-Humano, pois já estaríamos em emergidos em um outro registro ontológico em conexão com a mutação tecnocultural], é o responsável por agregar novos conjuntos de valores e materialidade ao corpus de Gaia.

Não há produção do espaço sem trabalho, sem ação, resistência e conexão entre as forças políticas. As forças e ações políticas está a remanejar as camadas espaciais de forma contínua e engendrar novas objetividades a sociedade. A produção desejante entre as tribos e sua territorialidade se funde na ação de produzir espaço. O desejo torna-se a categoria política que possibilita o conhecimento da produção social, consequentemente, o de sua dominação e alienação.

A relação transversal das tribos com Gaia é de pura produção. É uma produção que envolve o consumo intensivo de um corpus para o germe de novos engendramentos, que por sua vem a gerir novos arranjos existenciais e valorativos para os grupos [pós]humanos.

A Natureza como uma Indústria Humana tem como fundamento a produção primária: produção da produção. Ela é a que conecta as peças umas às outras dando-lhe virtualidade de possíveis.

A força virtual é a potência que existe em ato. É a imagem-movimento que vem a preencher os corpos e a heterogeneidade de elementos espaciais [máquinas e híbridos que compõe a paisagem contemporânea]. É a força do desejo que funde homem e natureza sob um processo de circulação, consumo e produção. O encontro das seres vivos com Gaia, passa a se registrar em uma produção desejante para a evolução e conservação das multi-espécies e humanidades.

A evolução perpassa pela mutação. É o desejo que não para de acoplar fluxos contínuos e sistemas de próteses ao corpus de Gaia. A sucessão de tribos vieram a sistematizar um organismo ao até então corpo sem órgãos da Terra, improdutivo e infértil.

No decorrer da história humana, as tribos vieram a cristalizar um sistema complexo de próteses e produção à anti-produção de Gaia. Na interconexão entre Indivíduo-Natureza, Gaia passa a se tornar uma territorialidade vital ao grupos humanos - é a superfície de registro na qual toda a produção virtual se instaura, delineando novos conjuntos de engendramentos [materiais e simbólicos].

Sob a complexidade das próteses, os sistemas técnicos e os sistemas simbólicos passam a se interconectar em uma conjunto de redes entrelaçadas entre de corpos, máquinas, fluxos e capital. Os grupos humanos passam a produzir uma humanidade hierarquizada, que hoje tem se estratificado em decorrência da polifonia desordenada.

As tribos passam a consumir intensivamente o corpus de Gaia, celebram mortes e novas alianças. Na ação racionalizante, inserem próteses e codificações. A produção espacial da Natureza vem a se registrar em uma sucessão de regimes de signos: de meios geográficos, com suas forças política [hegemônicas e minoritárias – e é sempre bom lembrar que há uma coalescência de choques e atravessamentos que estão a transformar a paisagem de forma contínua e que estão a gerar sistemas de códigos ao espaço].

O registro político do território perpassa por um processo de codificação, decodificação e recodificação entre as forças políticas que está a gerar atritos e restruturações na paisagem. 

Hoje, pode-se dizer que registro simbólico devém a ser desdobrado em decorrência da luta social das minorias, que estão a se apropriar dos espaços políticos para a produção do novo e impressão de seus signos: marcas e perceptos. O retorno das tribos nômades devém a gerar um intenso processos de encaixa e desencaixe ao território. As singularidades minoritárias detém a potência virtual do novo e o espírito da transformação social.


COLPANI, Felipe Pancheri.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

[DECADÊNCIA HUMANA]


A humanidade representou em todos estes séculos em absoluto uma "evolução no sentido do progresso". O que por sua vez, apresenta-se como uma ideia puramente banal e fictícia, que só gerou a diminuição da potência, nos colocando em um precário estado de coma e congelando o fluxo da mutação em estruturas pálidas e decadentes.

O Império Patriarcal-Capitalista travou uma guerra de morte para com os seres superiores. Os sistemas religiosos e econômicos da modernidade tomaram partido de tudo que é impotente, fraco e reativo. Enxertam o sistema operacional coletivo com ideais em oposição as produções existenciais potentes e revolucionárias.

Fala-se tanto em inteligência avançada, mas ainda mal sabemos o que pode o corpo, o que pode as faculdades potentes do espírito. Toda a organização e estrutura humana me asfixia. Puros sistemas de crueldade e tortura para o homem que mal consegue suporta a si próprio.

COLPANI, Felipe P.

Rascunho de alguma coisa I - Amar é arte...

 Vejo as constituições dos afetos como o entrelaçar de dois campos existenciais diferentes, como a movimentação de placas tectônicas, que mobilizam os corpos para a construção de um novo continente que possuirá elementos de ambos e também partes de suas singularidades. Isso para qualquer afeto, amizade, amor, ódio, desprezo, etc. Campos existenciais podem compor existências, como também decompor, pode curar como envenenar as potências e os fluxos de vida.
Compor campos existenciais com fluxos de vida, com alegria e potência, demanda um esforço de fundir, em um nível mais profundo, duas existências. A profundidade da conexão dirá a intensidade com que esses fluxos estão entrelaçados e as potências para a criação de vida, para ampliação do existir. No campo da potência não se mede por duração, mais por intensidade de conexão, quanto mais intenso a conexão, mais potente ela é.
Entre todas as conexões a do amor é em suma a mais potente, pois amar, não no sentido romântico do conceito, envolve outro dois elementos, Desejos e Afetos. Desejo é a consciência de um apetite, ou seja, é a percepção pelo consciente de que o corpo sente falta ou vontade de algo, o corpo quer calor, apetite pelo calor, a mente tem consciência desse apetite e ele se torna um desejo, ai não pelo calor, mas pela roupa que lhe aquece. Outro apetite é o sexual, o corpo sente apetite pelo orgasmo, o Desejo se constitui pela personificação de um objeto que lhe fará alcançar esse orgasmo. Não necessariamente a visão tradicional de orgasmo. Mas no Eros tem que ter tesão.
Afeto é quando os campos existências começam a se entrelaçar, a outra pessoa começa a fazer parte da sua vida de modo que parte do que te constitui é ela e parte do que constitui ela é você, ou seja, vocês são parte e produto de uma relação. Mas isso não é só com a pessoa amada, somos assim com nossos pais, amigos, professores, etc. Todos que estão a nossa volta e possuem algum significado para nós, que nos afetam de alguma maneira, são parte de nós, querendo ou não. A diferença está que para a criação de uma relação é necessário o deslocamento após a implicação, ou seja, após perceber que os campos existenciais tendem a se unir, que a existência de um se entrelaça com a do outro, é preciso mover-se para então criar o novo. Eros então é deslocamento de si para o outro.
O deslocamento de si não é a perda de si, mas é fazer dos fluxos comuns um campo imanente para relação e tentar construir fluxos de vida comuns, porém é preciso manter sua integridade, i.e. se perceber que apesar dos dois se tornarem um na relação, ainda são dois. O campo existencial conjunto, fundido pelo fluxo de desejos e afetos que mobilizaram as placas existências e criam vulcões de potência, não é forma final da existência de ambos, mas parte de um território afetivo.
Perceber a dualidade unívoca é uma busca para a afirmação da relação, da construção do campo, da vivência, de si. A maturidade dos afetos está em se entregar e não se perder, em se lançar na relação, no instante-já, mas quando emergir dele se ver, reconhecer quais são seus desejos e desejos do outro e os desejos unidos. O ser perder é parte do processo, ficar imerso no fluxo dos desejos e afetos, sem conseguir distinguir o eu, o outro e o nós é um dos ciclos da existência afetiva, mas não é seu fim, não pode ser seu “ideal”.
Não quero com palavras definir o amor, nem dar conselhos de relação, nem filosofar sobre o indizível, mas expressar a complexidade do ato de amar. O medo da vida é o principal inimigo do afeto. O medo da dor, do sentir, do apegar-se, do se jogar em cada vivência como se fosse a única, mas consciente de que não é, sabendo que tem o amanhã, percebendo o mundo e o todo, mas não negar a si o prazer do agora. Sabe o futuro? Não existe! Sabe o passado? Você não vive...
Não quero uma filosofia vão do carpe diem, onde se vive o hoje pelo hoje, mas viver a intensidade do hoje, com consciência do ontem, com potência para o amanhã, mas sabendo que só existe o agora. Esse entregar-se a vida, consciente, reflexivo, coerente, mas o se saltar no viver, isso que a humanidade perdeu. A razão destruiu o afeto e só a intuição pode nos reconectar a essa vivência “superior”.
Compreender que a racionalidade, assim como a construção histórica e material da vida, não são as instâncias últimas dos afetos, das alegrias, das potências, porém nos fazem lidar melhor com elas, não nos perdemos nos caminhos e quando nos perdemos nos reencontrarmos. Até chegarmos a potência do sou-me. A vivência do instante-já, a confluência dos fluxos de potência de vida para a construção dos campos existenciais.
Amar é a intuição, intuição e racionalidade histórica materializada e afetivizada, é a superação fazendo da vida como obra de arte, sendo que arte em última instância é a necessidade de uma produção que demonstra o sentir que é indizível.
Em ultima instancia, amar é arte, cada relação é um ensaio, que não tem como objetivo ser perfeito, mas sim vivenciado em sua máxima intensidade.


[GLOSSÁRIO DE CONCEITOS PRÁTICOS PARA AS FORÇAS BÁRBARAS E SELVAGENS - PARTE I]

>> AFETO:

É o mecanismo bioquímico da conexão, que transmuda o nosso desejo a partir dos fluxos, acontecimentos e intensidades que germinam dos encontros entre os entes virtuais da Aldeia Global, atualizando a nossa potência e nos fazendo divergir do nosso estado atual a novas passagens virtuais;



>> DELÍRIO: 

O delírio é cósmico. não há como inseri-lo em estrutura ou código. Ele se apresenta a nós em vias de passagem. Sua captação pode ser desdobrada ao fora por meio da atividade criativa [objetivação da interioridade], gerando novos arranjus desejantes;

A identidade inibe as passagens virtuais [delirantes], logo, não conseguirmos criar, nem produzir novas realidades. quando nos destituímos da própria organização do corpo, nosso pensamento passa a se fundir por meio de múltiplos transbordamento e de interconexões neurais que não reconhecem fronteiras;


>> DOBRA: 

Com a dissolução das fronteiras, nossa produção existencial passa a se fundir no mecanismo físico-químico das dobras. Não há mais a clássica separação entre corpus e espaço, há apenas um mecanismo cósmico uno que desdobra o desejo continuamente em conexão com outras forças, aumentando ou diminuindo nossa potência;

>> FORÇAS DE TRANSGRESSÃO:

É a ação germinada das forças revolucionárias do inconsciente, do desejo revolucionário de viver e mudar o mundo;



>> FORÇAS DE CAPTURA: 

O desejo encontra-se rigidamente codificado por um inconsciente que fixa as nossas forças produtivas em forças de captura internas [medo e repressão] e externas [códigos, normas, regras, leis, padrões e tecnologias de simulação reacionárias]. O neurótico passa a vida em um sofrido duelo interno, onde coabitam múltiplas forças reativas.

O inconsciente foi produzido no decorrer da história para reprimir as forças revolucionárias, gerando neuroses e hierarquias; toda força desejante que o faz divergir de si e do campo social é jogado pra debaixo do tapete [inconsciente]. É um puro investimento do campo patriarca-capitalista.

Cabe a cada indivíduo tomar o emponderamento da própria potência fazendo com que o campo social seja subordinado ao nosso próprio deleite, sobretudo para a produção de novos signos, próteses e valores. Quando o desejo é sentido como falta, é porque ainda não conseguirmos se apropriar dele, não conseguimos criar, apenas reproduzir e seguir modelos de simulação engendrados em nosso sistema operacional pelas forças hegemônicas.

O neurótico é impotente e emergido no coma de uma vida banalizada. a passagem para o corpo vibrátil se dá no autoconsciência e emponderamento da vontade de potência. É preciso agir com prudência e simular uma política emancipatória, de destruição da organização do próprio corpo, o que a priori pode vir acompanhada de uma crise existencial, pois o neurótico ainda encontra sentido nas coisas, cria falsas interpretações e ainda acredita na identidade que lhe foi fabricada, e a identidade nos dá confortos fictícios, entretanto, nos afasta do poder do corpo, da afirmação de nossa própria potência;



>> MÁQUINA DE GUERRA

É a máquina esquizofrênica e revolucionária. equipado por um conjunto de táticas e estratégias para a desconstrução das estruturas do Império Patriarcal-Capitalista e para produção do novo.

É fabricado pela física quântica, que o produz no seio de uma dinâmica de atração e repulsão de forças. Emergido no campo bioquímico de forças políticas, as máquinas de guerra estão a gerar fortes atritos na paisagem social. Ela corta, processa e produz. Criam novas peças, mudam as engrenagens, gerando novas dobras ao corpus social;



>> REDE DE CONEXÕES:

Não somos estruturas, unidades coerentes por onde a sociedade injeta todas as suas drogas mortíferas. somos meios [em contínuum processo de expansão] por onde uma força una e indivisível se autopreenche.

Estamos todos interligados por meio de uma rede híbrida e polimorfa de conexões. todos somos UM, que só muda de modo na conexão, no encontro e no atrito entre acontecimentos, átomos, moléculas, fluxos e passagens elétricas. como a física moderno nos salienta, tudo se divide, mas em si.

A ideia da rede de conexões é gerar uma autoconsciência global da nova consciência, das novas expressão materiais e virtuais. dos novos mundos que nos atravessam e que ainda não aprendemos a lidar, gerando uma continuidade na aventura pós-humana.

Através da reorganização gerada pelos novos sistemas maquínicos. daremos passagem a mutação da identidade e do eu, que mortifica a carne e arruína a mente;



>> VIRTUAL: 

É a força autogerada pelo desejo, que nos preenche e nos coloca em vias de atualização. Nestas passagens virtuais, podemos captar novos focos mutantes de transformação de si e do mundo. Ela é a força que nos gera um complexo nó de tendências, forças e acontecimentos, nos dando a potência de criação, que por sua vez, implica na produção inovadora e contínua de ideias, formas e conceitos.

[FILOSOFIA]

A MECÂNICA QUÂNTICA DA PRODUÇÃO CONCEITUAL


A Filosofia é uma fábrica de conceitos que germina da própria produção existencial, das experiências cotidianas, dos fluxos e intensidades que percorrem o encontro dos corpus.

O filósofo é um mecânico. Trabalha no remanejamento das peças e engrenagens da máquina social através de sua Física Quântica. Ele capta as nunces e problemas do real enquanto ele acontece em ato e os insere no núcleo da produção. Ele não só constata as cristalizações reacionárias como também as deslocam, corta, processa e indica novos campos de possíveis, novas linhas evolutivas para novos desdobramentos maquínicos.

Ele também equipa a mente, opera na inteligência, na sensibilidade e nos afetos. Sua produção ocorre no plano heterogêneo de forças: de conexões, ligações e maquinações. Ele está sempre a espreita de fazer eclodir novos focos mutantes de produção existencial, e até mesmo a invenção de novas catálises que podem muito bem promover novas dobras sociais. Mas para que isso aconteça, é preciso que haja uma interconexão entre a filosofia, a tecnociência e as tribos nômades que percorrem o campo social. 


Assim como o squizu, o filósofo é um tatuador nato da Natureza. Mas ele não só engendra novas máquinas ao circuito de produção, como também atua no desmanche das estruturas, liberando no presente os fluxos do desejo dos congelamentos reacionários, fazendo com que o presente tome novas pulsações que golpeiam as formações opressivas e repressivas da sociedade, gerando assim, novos planos de composição, ou até mesmo novos tratados de Natureza.

COLPANI, Felipe Pancheri.





[MANIFESTO CONTRASEXUAL]

O REGIME REGULADOR DO ARMÁRIO

Viver no armário é uma experiência reativa na produção existencial contemporânea. Os individuos que caminham por desejos secretos, amores ocultos e relações aprisionadas na intimidade contribuem de forma efetiva para a manutenção das próprias estruturas de poder que lhes oprimem, ou seja, o da heteronormatividade. 

A heterossexualidade é um registro compulsório e conservador que se solidificou sob um regime de signos que tem como pressupostos ideológicos, controlar, punir e proibir aquele que escapa ao modelo de referência: o homem-branco-burguês-macho-heterossexual do Primeiro Mundo. 

As estruturas de poder, nesse sentido, petrificam a moral heterossexual em um regime compulsório que orienta uma simulação existencial regida por normas, regras e leis que vão passar a regulamentar a produção desejante dos corpus.

As relações sócioafetivas passam a ser fixadas na norma de uma padronização reacionária. Nem mesmo as tecnologias de simulação da bissexualidade e da homossexualidade escapam da norma heterossexista. As orientações sexuais acabam se tornando ficções políticas de taxação das singularidades a quadros de referenciação da heteronormatividade. 

O armário é um regime regulador da heterossexualidade compulsória de organização da vida social, tornando-se uma máquina produtora de subjetividades, caminhando na superfície da repressão do desejo. O armário não é um atributo apenas dos indivíduos gays. Todos estamos moldando a nossa produção desejante para se adequar aos modelos impostos. O que impede o desdobramento do desejo para novas formas mutantes de si e do mundo.

As pessoas que convivem com os fanstasmas da heteronormatividade temem as consequências nas esferas públicas e familiares. Passam a levar uma vida fraca e impotente, pois imersos no vazio e na repressão, não conseguem produzir realidades, nem se colocar a borda de novos devires. 

A vida passa a ser baseada na mentira e na vida dupla, o que por sua vez geram sérios problemas psíquicos tais como: medo, insegurança, agressividade e impaciência para com o outro. Dividir-se em dois [ou até mais], manter uma fachada ilusória entre si mesmo e aqueles com quem convive, exige muito esforço e capacidade para suportar o medo de ser descoberto. 

Este medo cria o temor, e até mesmo a temível depressão. O individuo imerso no armário cria uma necessidade de estar sempre atento aos sinais que sabotam a sua identidade fictícia, que denunciam a sua intimidade e seus desejos. Evita lugares e pessoas que associem a uma identidade temida pelo mesmo, se esforça para agir contra seus próprios instintos desejantes e sentimentos e acabam mantendo um compromisso com a ordem heterossexista que o rejeita, controla e puni das mais variadas formas. 

A construção da identidade homossexual em tempos de fluidez, perpassa por agências de sociabilidade virtuais e por um conjunto de habitus que orientam e moldam o comportamento [mas não determina], e por uma paisagem existencial de descobertas e experiências. A interconectividade contemporâneo entre territórios sociais e territórios virtuais põe a identidade em um movimento de reconstrução contínua, a ser interpretada e simulada sob infinitas maneiras. 

A identidade homossexual vem a se produzir na interface destes múltiplos territórios existenciais que percorrem a sociedade: as agências sociais [família, escola, universidade]; os territórios virtuais [as redes sociais, os aplicativos de encontros etc] e as dimensões incorpóreas do inconsciente [produção desejante]. A sucessão de experiências [afetivas e sexuais] é o que devém a dar mutação a identidade e enfrentamento as inquietações existenciais que afetam grande parte dos homossexuais. 

Podemos descrever a formação da identidade homossexual a partir de três estágios. São fases não-lineares que se intercalam no processo de fragmentação da identidade. 

Denomino o primeiro estágio de QUEM SOU EU?. É a fase dos primeiro questionamentos existenciais, marcada por muita confusão e desconhecimento. O “posso ser homossexual?” passa a ser um pensamento inquietante. 

O inconsciente passa a ser habitado por um duelo de forças: forças do desejo e forças de captura do fora [medo e pressão social – duas forças de captura da heteronormatividade]. O indivíduo passa a se confrontar internamente com este atravessamento caótico: onde as forças de captura se confrontam com pulsões desejantes e fantasias. 

O segundo estágio chamo de MUTAÇÃO EXISTENCIAL. Fase da bifurcação. É uma fase difícil, de muitos questionamentos com relação a identidade e a sexualidade. É a fase pré-armário e das novas pulsões desejantes. O que vai desdobrar o desejo deste estágio será a sucessão de acontecimentos e experiências. 

Se o indivíduo não tiver boas expectativas quanto a sua descoberta, ele pode vir a conviver com a repressão desejante e seus efeitos, tais como, melancolia, a insegurança constante e depressão. É um estágio marcado por sentimentos de aceitação concomitantes a sentimentos de vazio e negação, sentimentos que mudam de acordo com o impacto da homossexualidade para o indivíduo e o seu nível de enfrentamento. 

O terceiro e último estágio é o da PRODUÇÃO DESEJANTE. É a fase de aceitação e em seguida, de afirmação e de projeção da identidade. De incorporação de novos simulações. 

Neste estágio, passam a produzir experiências compartilhadas entre membros da mesma tribo. É a fase que parte dos homossexuais buscam enfrentar a saída do armário e a desconstruir a heteronormatividade e a heterossexualidade compulsória. Momento de novo compromisso ético-político: agora o indivíduo incorpora a homossexualidade à sua produção existencial, propiciando a autoaceitação e afirmação política em relação à identidade minoritária. 

A autoaceitação é um processo que gera novos contornos a produção desejante dos indivíduos. Ela gera as condições para a diferença, fazendo com que o indivíduo componha sua singularidade a cargo do desejo, se deixando afetar por uma exterioridade que a mina e o faz divergir dos próprios fantasmas internos. 


COLPANI, Felipe Pancheri.


[CORPUS. MÁQUINAS. DESEJOS]


O homem moderno possui uma formação genealógica que revela sua constituição social. Uma constituição que ocorreu sob um registro simbólico universal, equipado por um mosaico regulamentador de normas, regras, leis, discursos e normas de conduta. Foi-lhe fabricado uma identidade, um gênero, uma classe e uma raça.

Nesse sentido, nossa produção desejante torna-se esmagada e manipulada pelas estruturas que organizam e governam nossos corpus. A repressão do desejo coloca os corpus na superfície da repressão, gerando vazio e uma vida reproduzida no seio do consumo em massa e das tecnologias de simulação globais.

O inconsciente, que estrutura o nosso desejo ao deleite do campo social, é uma máquina de repressão que governa a produção libidinal capitalista. Todo delírio e afirmação desejante é recalcado. Ao reprimir os desejos sob um célula familiar nuclear e patriarcal, o capitalismo assegura o engendramento das máquinas operáveis ao corpus pleno do capital. Assenta-se toda uma materialidade aos corpus. Investem e codificam o desejo na própria infraestrutura da máquina social, com base na opressão e na repressão.

A máquina social é um campo bioquímico de forças políticas. As partes que compõe a totalidade maquínica não param de efetuar cortes, deslocamentes, um processo continnum de arranjo e dessaranjo da paisagem social. Neste contexto, a Natureza é uma poderosa fábrica autoprodutora, onde sua máquina social e suas engrenagens estão em um processo ininterrupto de produção - nos devires, nos tempos, hiatos, rupturas e movimentos reais que atravessam a nossa produção existencial.

O desejo é a força motriz das máquinas. As tribos em conexão com a Terra produzem próteses e stratus antropomórficos na Natureza. A força desejante nos dá a potência de criação e investimento, numa produção vital que não reconhece a separação entre homem e seu espaço geográfico. Há apenas simbioses e engendramentos, alianças e conexões. 

Operamos nossa produção existencial por meio de linhas evolutivas, que passam a tecer ou a desconstruir a paisagens social a partir de uma sucessão de meios e próteses. As linhas se conectam a outras tantas linhas, gerando movimentos e ações que redirecionam as forças que deslocam as estruturas e geram novos arranjus sócioespaciais. 

A reconstrução do espaço geográfico opera sob dois núcleos: um sedimentado, de ordem macropolítica - geralmente são formações que se deram no seio dos interesses de forças hegemônicas, sob o comando do Império Patriarcal-Capitalista; e outro flexível, de ordem micropolítico e molecular, por investimentos de forças mutantes que estão a deslocar estruturas e a gerar novos focos de produção existencial. 

Nossa produção desejante segue produzindo passagens virtuais, que quando não esmagadas pela repressão social, pode vir a se cristalizar e contribuir para novas formações antropomórficas, pois o desejo é a força cósmica que contribui efetivamente para a nossa manutenção e autoconservação. Temos a potência que parte da nossa própria essência para criar as condições da atividade criativa e a construção contínua de novos sentidos e valores. 

COLPANI, Felipe Pancheri.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Atualização da educação


Devemos reconfigurar a maquina educativa para que tenha a sensibilidade de captar os fluxo revolucionários, adentrando profundamente no esquema do real, sendo um ponto de agenciamento coletivo que gere a transvaloração dos velhos esquemas, construindo uma percepção que constitua uma educação de fluxos e potências, por meio dos afetos.
Os velhos paradigmas educativos estão desatualizados para os novos fluxos potente do real-concreto. Os velhos esquemas, temas e filosofias educativas, que muitas vezes não abarcam a totalidade do humano, vendo só o pensamento, ou o histórico, ou o afetivo, devem ser transmutados, a criação de uma visão total, que tenha a inter-relação entre a arte, a ciência,a filosofia e a vida, de modo não disciplinar, mas vivo, interativo, conectado ao ser e ao mundo.
Para esse novo projeto de educação, o afeto, a intuição e a totalidade do ser, devem substituir a razão fria, o pensamento linear e a fragmentação da vida. Deve entrar no fluxo maquinico da reconstituição e transformação da linguagem, visando um fortalecimento do devir-minoritário, agindo na tensão entre o centro e o periférico, não visando uma síntese, mas sim a construção de um campo-meio-transitório no qual se faça o novo olhar educativo.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Ontem caminhei...




Ontem caminhei,
Solitário pelo mundo,
Desertos secos com vida
Vidas secas como deserto.

Dor no corpo senti,
Não sabia o motivo,
Mas só uma profunda dor,
Dor que doía sem motivo,
Dor que latejava os sentidos,
Dor...

Não sei o motivo do voo dos pássaros,
Nem o do sorriso das crianças,
Às vezes acredito na esperança,
Às vezes no medo,
Mas nunca me esqueço do desejo...

Dor solitária senti,
Mas será que tem dor acompanhada?
Meu corpo parou,
Virou deserto seco e sem vida,
Apenas um corpo andando entre os vivos,
Apenas um coração batendo,
Porém incapaz de sentir...
Só havia a dor...

Rasguei,
Tudo foi rasgado,
Todos os mapas,
Todas as rotas,
Todos os caminhos conhecidos,

Rasguei tudo...
Não sei onde estou, nem para onde vou,
Não que esteja sem objetivo,
Não tenho é uma trajetória,
Caminho, nem mapa,
Pois o objetivo é novo,
O caminho é desconhecido,
Viajar é uma aventura,
Se chegarei? Não sei!
Mas isso não importa!
A experiência de viver me basta.

Não que eu queira pouca da vida,
Desejo muito da vida,
Vários sentimentos me tomam,
Vários sentimentos me invadem
Depois que a dor passou.


O possuir é inferior ao ser,
Quero ser cheio...
De história para contar quando for velho,
De lembranças para me recordar no ultimo suspiro,
Vibrações, desejos, sentimentos...
É tudo o que quero levar dessa vida!

domingo, 24 de maio de 2015

Aquarium

Estou de olho no mundo como o mar, como um grande mar, ou como um peixe que sai do aquário para mergulhar em seu próprio mar, nas águas abundantes e ondas, onde há falta de controle em minhas barbatanas, onde eu calo e grito, onde as algas entopem a minha boca com o silêncio que rompe com a solidão destas águas.
 
Silêncio profundo, intenso, que movimenta redemoinhos com força e violência que estão prenhes de palavras, como o dia do parto, como a novidade da luz, como sons ritmados de mãe e seus suspiros rápidos, cada vez mais rápidos, nas mãos da obstetriz.
 
Deslizo nesta superfície lisa das águas (sou peixe), e após um grito rasgado engulo o mundo inteiro – aquele que antes olhava ou sonhava. Deixo de ser o que era, torno-me corpo, matéria, sentidos, sons e signos em um tecido estriado que chamam de história.

 
 
 Direção, imagens, roteiro e montagem: Taciana Oliveira

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Dez aforismos de uma segunda-feira a noite

I
Enquanto não acho o destino, faço da jornada a minha única pretensão para existência!

II
Na solidão conseguimos atingir um estado maior da compreensão de si, quando refletimos sobre nós e o que sentimos sobre a existência supera os limites do vocabulário e entra na escala do indizível, onde o silêncio invade e o percepto se expande, compreendemos o que somos, não na essência de ser algo, mas na potência do ato da nossa existência.

III
A mudança em nós se dá por ruptura, quando atingimos os limites permitidos para uma existência, rompemos, transgredimos essa existência e iniciamos outra, mas profunda.

IV
Está só não é uma condição singular da existência, mas um fato da própria existência, conseguir perceber o quanto essas solidões e silêncios permitem que conheçamos a nós e vejamos quem somos é parte importante para nos constituirmos. Não que o ser humano se faça sozinho, sua sociabilidade é indispensável para tornar-se quem é, toda via, muitas vezes só percebe a sua constituição, quando se olha para seu lago interno da solidão e vê sua imagem no espelho d’água.

V
Conheça-te a ti mesmo é uma impossibilidade, não compreendemos a estão do que somos, pois nosso campo territorial se estende ao infinito, muito além do corpo, mas se fechando no corpo. A única possibilidade é tornar-se quem és, ou seja, largar os medos da existência e entrar no fluxo constitutivo da vivência no mundo e consigo.

VI
O medo de viver é o maior impedimento da existência. Os niilistas que deixam a vida presente para amar uma vida vindoura, na qual não se sabe ao certo o que se tem, mas que na verdade amam o sonho de vida que queriam ter, mas o medo os impede. O medo é o fundamento de toda religião, de todos pensamento incoerente, de todos os mandamentos de morte, da falta da potência da existência, dos corpos travados no mundo. O Medo é a morte em vida de um corpo que não mais consegue se sentir no mundo.

VII
Quem tem medo não ama, pois amar é se permitir ir além das fronteiras do conforto, é se entregar uma existência no ato presente, sabendo que o futuro é um conjunto completamente incerto de possibilidades. Nunca sairemos ilesos de um amor vivido que agora não existe mais, pois a dor da ausência da causa externa do amor causara dor. Porém, compreender os motivos que nos levaram a amar e os que levaram ao fim do amor, não só no pensamento, mas compreender os fluxo dos sentimentos nos corpos, auxilia a lidar com a dor do fim.

VIII
O medo da dor não pode ser um impedimento para vivência, não pode travar os fluxos do corpo, não pode lhe impedir o orgasmo. A vida se faz entre alegrias e tristezas, amores e desamores, potência e impotência. Cabe a cada um de nós compreender melhor o que nos causa cada coisa, para que as impotência não nos dominem e nos torneemos seres reativos.

IX
O gozo da existência é a própria existência, não existe nada, além disso, nem nada aquém, somos exatamente o que vivemos. Compreender as potências, as construções e as expansões dessas vivencias, é alcançar um estado superior de consciência de si. É um retorno a força motriz do corpo e da mente, é encontrar o elemento básico da nossa existência, que é o apetite pensado, que chamamos desejo.

X
Ser reativo é ser um sujeito sem gozo, sem potência para seus desejos, sem orgasmos para sua vida. Não falo somente no sentido sexual do senso comum, pois isso é apenas a menor parte da potência do orgasmo do corpo, principalmente se o falo for o único objeto em ação durante o ato. O corpo é uma maquina de potências infinitas de orgasmo, prazer, desejos, fluxos infinitos para alimentar a potência da existência. Encontrar os pequenos orgasmos diários, as pequenas coisas que lhe aumentam a potência do corpo, lhe ampliam o desejo pela vida, te fazem ir além da ilusão de dois corpos nus como única possibilidade de prazer orgástico. Quando se chega a essa compreensão, ao se retornar para os corpos nus, entenderá o que de fato é prazer orgástico, pois o falo não será mais o rei, mesmo quando não tem falo.






terça-feira, 12 de maio de 2015

Todas as mulheres vão para o inferno

Algumas pessoas não admitem (apesar de deduzirem), mas de fato todas as mulheres vão para o inferno.
Desde que Belfagor¹ voltou de sua experiência na terra, entre a população infernal não restou dúvida da predestinação das mulheres para ocuparem os espaços quentes do mundo abaixo. Os homens argumentavam que só estavam ali (no inferno) porque tinham cometido o pecado inicial do casamento e as mulheres os induziam aos outros erros tal qual como Eva teria feito com Adão. E com a comprovação de Belfagor, que preferiu perder a honra do que voltar para sua mulher, ficou acordado entre os juízes supremos do inferno que todas as mulheres seriam mandadas diretamente para as chamas. Dessa forma, as mulheres não passariam mais por julgamentos (o que poupou muito tempo para todos os interessados).
Porém algumas mulheres já estavam no céu e o diabo e deus precisaram fazer um acordo para reverter tal situação. O diabo em troca das mulheres (que por algum motivo tinham sido classificadas como boas para irem para o céu) entregou os seus homens. Deus gostou da proposta, afinal mais vale um varão que uma mulher, não é mesmo?  E o diabo também ficou contente, deus com sua cegueira prepotente poderia não perceber, mas ele estava garantindo todo o fruto da terra.
As mulheres já eram maioria no inferno, como todos sabem, é muito mais difícil ser mulher e não pecar do que sendo homem. Uma vez, inclusive, o próprio diabo debateu tais regras com deus, argumentando que talvez os seres humanos devessem ter em algum momento o direito da escolha de seu órgão sexual já que isso seria tão determinante para sua história em terra. Levando em consideração o livre arbítrio, o diabo rebateu que talvez a partir dos 12 anos fosse um momento certo para escolher. Claro que deus odiou a ideia, e odiou posteriormente outros absurdos como escolher (a partir dos 18) a classe social, a cor da pele ou as predileções sexuais. Todas essas ideias foram consideradas subversivas e diabólicas (o que eram mesmo, já que foram forjadas pelo próprio demônio).  
Dessas conversas com deus, o diabo sempre voltava frustrado. Era incrível como a conceitualização de livre arbítrio era completamente arbitraria. Mas das cosias de deus só deus sabe.
Na sua convivência com as mulheres no inferno o diabo foi percebendo o quanto gostava do feminino e quanto aquelas mulheres eram diferentes entre elas. Com o tempo começou a perceber que na verdade, ele gostava muito do feminino. Não à toa tinha gostado tanto de Eva e sua curiosidade pela experimentação e pelo conhecimento. Uma mulher incrível que pagou por uma lei ridícula. Talvez essa tenha sido a primeira lei absurda do mundo. Até hoje elas existem e se expandem, tem lugares, por exemplo, que a escravidão era lei, não pagou virou escravo; tem lugar que não se pode andar de bicicleta e tomar sorvete ao mesmo tempo; tem uma cidade chamada Sorocaba que durante um período era proibido o beijo em público. Todas leis ridículas. Mas as pessoas só lembram de Eva e a porcaria da maça, que amigos, percebam que é uma metáfora (!) para encobrir o ato de coragem de Eva de reivindicar para si (e para a humanidade) a capacidade do conhecimento. O grande questionamento aqui deveria ser porque somente uma pessoa poderia ter isso? O diabo era um grande questionar e por isso foi mandando embora dos céus com mais 1/3 da categoria angelical.  
É válido destacar que muitos homens ou apenas “pessoas possuidoras de pênis” foram mandadas para o desígnio do diabo por confundirem à santidade. Era feminino demais para ir para o céu. E a partir desse momento o diabo conseguiu ganhar também as afeminadas. Tudo que era feminino foi proibido por deus.
Essa história toda é muito autocentrada na personagem do diabo, que aliás, com alguns anos passou a adotar o feminino e a arrendar a neca, hoje, diaba, obrigada. Seu contato com o feminino o fez se apaixonar cada vez mais por essa estética. Tanto foi que esqueceu da sua dicotomia com deus e passou a viver a sua vida em cultos à feminilidade. Nesse ponto talvez seja importante falar que o diabo, ao contrário de deus, não mandava embora as mulheres masculinas, pelo contrário, as elegeu como as novas arquidiabas, porque elas confundiam os arcanjos e sempre voltavam com histórias maravilhosas de como travar o pensamento linear.
E aí entra o ponto central dessa história. E as mulheres? Bem, minhas caras amigas (tomarei o feminino como novo universal), era tudo plano de Eva desde o início. Na verdade, começou com Lilith e depois passou pra Eva, mas a autoria não importa muito. A questão é que como foi a mulher a comer o fruto da sabedoria, ela com um mínimo de raciocínio descobriu que deus não era lá essas pessoas igualitárias e que ela sofreria muito com esse modelo hegemônico instituindo. Seu plano foi desde o início (e depois passado para cada mulher) conseguir aliados fortes o suficientemente para o futuro enfrentamento, no caso, o diabo. Quando a primeira metade do plano deu certo e deus aceitou mandar todas as mulheres e existências do afeminado para o inferno foi possível trazer o diabo para os seus planos diplomáticos. Enquanto isso no céu os homens não suportavam mais viverem isolados (diferentemente das mulheres que eram muito bem treinadas pela sociedade a não serem escutadas e terem seus desejos valorizados, os homens não estavam acostumados com todo aquele celibato – apesar de alguns subverterem da maneira que dava – e além disso eles não eram escutados, tudo era deus). Entediados com tamanha chatice um homem conseguiu um contato entre as arquidiabas apelando pela sua entrada no inferno. Desse dia em diante um por um dos homens foram deixando o céu. Pouco depois até os anjos foram embora (bastou um pouco de leitura e aulas com as arquidiabas).
 Deus ficou só e assim permanece. Sem ninguém que lhe venere e cumpra suas ordens nem os seus poderes tinham mais significado.
 Como podem perceber, todas as mulheres vão para o inferno, mas isso não é ruim não, é um plano de Eva, a primeira pensadora.



¹Belfagor é o personagem principal do conto Belfagor, o Arquidiabo de Maquiavel. 

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Rascunhos imperfeitos sobre os afetos










Na relação dos afetos a implicação e a mobilização são fundamentais para a expansão dos sentimentos, das potências, da vida. Tudo que me implica e me mobiliza cria uma ação transformadora em mim e no outro, nos deslocando de onde estamos. Para que os sentimentos do bom encontro cresçam em potência e qualidade é necessário que haja a implicação e a mobilização. Se o amor nos afeta, não tem como ficar parado, se não nos implicarmos na relação e não nos mobilizarmos, o sentimento morre, perde sua potência, mas quando nos mobilizamos, eles criam em nós vulcões, simbolo da potência expansiva, explosiva e constitutiva dos afetos.

É necessário mobilizar as placas tectônicas da nossa subjetivação, para a construção de um novo continente relacional, o esforço é equivalente a um terremoto, mas a única destruição causada será a do nosso isolamento.




Aforismas reflexivos dissociativos retos



I
Seres reativos, são os que ficam a vida inteira a olhar o mundo e não fazem nada para modificar a sua realidade e quando alguém resolve fazer, criticam! 
II
Existem seres no mundo que na busca pelo poder são capazes de vender a seus princípios por um bocado de governamentalidade, mas a questão a se colocar é: algum dia eles tiveram princípios?
III
As palavras não mudam o mundo, o que muda o mundo é a materialização das palavras em atos, palavras são só palavras, a significação das palavras é que transmuta a realidade.
IV
Não acredito em sistemas, nem em pessoas que constroem sistemas, nem em fazedores de ideias que melhorem o mundo, o mundo se melhora na práxis, ação-reflexão-ação, no agenciamento coletivo de fluxo de potência, não de outra maneira...