domingo, 24 de maio de 2015

Aquarium

Estou de olho no mundo como o mar, como um grande mar, ou como um peixe que sai do aquário para mergulhar em seu próprio mar, nas águas abundantes e ondas, onde há falta de controle em minhas barbatanas, onde eu calo e grito, onde as algas entopem a minha boca com o silêncio que rompe com a solidão destas águas.
 
Silêncio profundo, intenso, que movimenta redemoinhos com força e violência que estão prenhes de palavras, como o dia do parto, como a novidade da luz, como sons ritmados de mãe e seus suspiros rápidos, cada vez mais rápidos, nas mãos da obstetriz.
 
Deslizo nesta superfície lisa das águas (sou peixe), e após um grito rasgado engulo o mundo inteiro – aquele que antes olhava ou sonhava. Deixo de ser o que era, torno-me corpo, matéria, sentidos, sons e signos em um tecido estriado que chamam de história.

 
 
 Direção, imagens, roteiro e montagem: Taciana Oliveira

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