sábado, 5 de setembro de 2015

{….}



Sou sempre o outro
Sou o encosto para as cabeças
O braço para o conforto
O sorriso para os que estão tristes
O ouvido para os que desabafam,
O olhar de apoio para os que precisam.
Mas sou só isso...!?

Partes de um corpo,
Partes, sem contorno
Sem alma ou expressão,
Sou tomado e usado,
Reduzido as minhas partes,
Reduzido ao nada...

Sou a desculpa
Um remendo para vidas fraturadas,
Remédio para doentes das almas,
Sou nada

Depois do corpo remendado
Após a alma sarada
Sou jogado no lixo
Esquecido

Sou nada

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Inseto... Louco...

Frida Kahlo, 1938, óleo sobre tela, 91cm x 70,5cm
Inseto, uma definição boa para o modo como me sinto nos últimos tempos. Percebo-me uma larva, uma daquelas que comem corpos em decomposição, sou eu, larvar comedora de corpo em decomposição, adoradora de putrefação, da morte, do asqueroso e do nojento. Vivo rastejando, comendo dejetos e restos, podre até a alma, ou melhor, um corpo podre sem alma, sem espírito, sem a esperança do transcendente, só um corpo. Este sou eu, nobre inseto comedor de carnes podres.
O motivo de me sentir assim foi para mim um mistério por longo tempo, não sabia o motivo de me ver de forma tão asquerosa, nojenta e depreciativa. Não que a nobre larva não tenha seus encantos e sua função, de veras, os insetos são seres maravilhosos, desprezados unicamente pelos humanos que não o compreendem, nem a sua beleza. Mas o motivo de me ver desta forma não conseguia saber com total certeza, principalmente nos dias que me transformava em um inseto.
Será que não sabia, ou apenas não deseja ver o que realmente era, apesar de já ter falado sobre tantas vezes, me sentia despreparado para ver, ser, sentir isso, algo completamente desconexo da realidade. Como poderia, eu que praticamente berrava aos quatro ventos o que sentia, poderia por algum motivo não ter certeza? Será que meus berros eram uma tentativa de reafirmação? Um modo de me enganar? Por que reafirmar todos os dias algo que era natural para mim?
Não saberia dizer, era de fato estranho ter que me ver no espelho todo dia e todo dia dizer a mesma coisa, as mesmas palavras, sorrir para mim e falar tudo bem, nada de mal em ser assim, as pessoas que não te entendem, as pessoas que não conseguem lidar com o diferente, mas será que são elas que não conseguem lidar com isso ou sou eu? Não seria minha fraqueza em lidar com isso que me levava a pensar que os outros não sabem lidar comigo? Não que todos me entendam, aceitem e compreendem o que é viver como vivo, mas não seria eu, que após tanto tempo, ainda não sei lidar com os meus sentimentos, com as minhas dores, meus sofrimentos?
A dor de ser assim, é inexplicável, acho que muito acham bobagem falar tanto sobre algo que para eles é tão natural, tão comum, tão banal, para mim não é, preciso falar, preciso dizer o que sinto, o que penso, o que estou sofrendo, a escrita é a minha salvação, minha libertação, se não falo, se não desabafo, me senti péssimo, os dias que me calo são os dias mais inseto que me sinto, dias sem conseguir expressar o que está aqui dentro, sem sair nenhuma palavra, nenhum sentimento, dias que simplesmente não sei como dizer tudo o que estou passando e sentido, queria apenas fugir do mundo, deixar tudo para trás e seguir rumo ao desconhecido, um lugar que ninguém me conhecesse, nem eu mesmo.
Drama adolescente perto dos trinta? Ridículo! Mas o ser humano é ridículo, não serei diferente de todos os seres humanos, porem, será que isso é um drama juvenil, ou simplesmente um sentimento que com o tempo tentamos rejeitar para poder viver feliz em um lugar de pura infelicidade, dor e sofrimento, no qual nossos sentimentos, desejos e anseios não são respeitados pelo outros, vivendo simplesmente um vazio, um nada floreado de cores opacas e sem sentido, uma vida indescritível e um não nós, a falta total do quem eu sou.
Vejo esse drama como a minha tentativa diária de não rejeitar o que sinto e o que sou. Meus afetos não são bem vistos, eu sei, meu desejos são reprovados em plena sociedade do século XXI, mesmo depois de duas guerras mundiais, mortes e perseguições por séculos dos que eram diferentes, dos que não se encaixavam na pureza cristã, na pureza branca, na pureza europeia, na pureza do dominante impuro, mestiço, flagelado como todos os outros, mas que vivia a ilusão de uma pureza, que tentava se purificar para não se sentir o lixo que todos o falaram que ele era. Engraçado, a sociedade escolhe seus lixos desprezados para governa-la rumo a sua pureza superior, tão trágico e tão poético que chega a ser medonho.
Impureza, termo vazio em si, somos todos impuros, de um modo ou de outro, mas queremos que nosso lado “puro” seja o superior, o melhor, o que tenha valor no final. Somos todos seres caídos de um paraíso fictícios ao qual tentamos desesperadamente retornar. Queremos o jardim do Éden, a Jerusalém celestial, o lugar que nos traga paz, mas na verdade queremos um lugar onde todos sejam iguais, pois acreditamos que a homogeneização é a única paz libertadora possível. Jerusalém e o Éden são os locais onde todos são iguais, tão iguais que se tornaram seres sem cores, sem sexo, sem desejo e por fim sem sua humanidade, serão nada. No fundo, acho que todos querem é ser nada, pois ser qualquer coisa que não um nada vazio e abstrato algo que não precisa sentir ver ou viver, deve ser a maior libertação possível, pois o nada termina com as incertezas, as impossibilidades, os desafios, faz tudo ser algo único, vazio e sem sentido, tudo é nada.
A suavidade de um lugar onde todos são iguais, pois não existem os diferentes, os opositores, os depravados, os escandalosos, as cores, as multidões, são apenas as mesmas pessoas, cópias de si, clones de um vazio, que futuro promissor o ser humano tem, de uma potência de infinitas possibilidades ao nada. O que é o nirvana, a transcendência, o céu, o paraíso, os lugares sagrados se não o fim do próprio humano? Ser o humano é a tarefa mais complexa e difícil que poderia existir, pois é ter as possibilidades infinitas da existência em um corpo mortal, finito e incompleto, sendo que nunca seremos tudo, temos que escolher o que somos e como vivemos dentro das possibilidades que possuímos é sem duvida um dilema e um sofrimento constante, se você como eu for louco o suficiente para ficar pensando nisso.
Nunca entendi qual o mal com a loucura, sempre a achei um delírio que deveria ser vivido com a máxima intensidade, só os loucos são realmente livres, não falo do patológico, falo daqueles loucos que beiram a patologia aos olhos do social, mas tem a profunda sanidade de não querer o social, esse loucos são fantásticos, Clarisse Lispector, Cassandra Rios, Virginia Woolf, Hanna Arandt, Kafka, Nietzsche, Marx, Oscar Wilde... loucos que viveram a insanidade do real na profundidade do impossível, escolheram entre ser o que lhe era permitido e o que eles desejavam, ficaram com seus desejos, com as possibilidades infinitas e mundanas dos seus desejos.
Viver sendo o que você sente ser, deseja ser, para onde seu corpo lhe encaminha, pessoas assim são loucas, desejos livres, mentes abertas, corpos fluidos em direções sem precedentes, só assim vivemos, enxergamos a totalidade real, passamos desse mundo mesquinho e enfadonho para uma vivência profundamente insana e verdadeira. Uma blasfêmia para muitos, a loucura é a blasfêmia, a força demoníaca que há no ser humano, ridículo pensar assim, que a força criativa é um demônio se foi Deus que soprou seu espírito em nós, a força repressiva é o demônio, Deus é a loucura blasfêmia e libertadora de nossos medos.
Não há esperança no céu, da vida eterna, da felicidade no paraíso, tudo isso é invenção do medo demoníaco em nós, a liberdade divina é o livre arbítrio, a possibilidade de viver quem somos no máximo de nossa potência, ser livre é comungar com Deus diariamente para além da visão mística religiosa, mas na imanência de uma vida plena do corpo. Minha libertação, hoje a vejo dessa forma, minha comunhão com o divino, está em amar do modo que meu corpo, soprado pelo espírito do eterno, encaminha meus desejos, infernal seria não obedecer a esse desejo divino que está em nós, rejeitar quem somos é rejeitar a obra divina, viver a máxima potência é encontrar a Substância Criadora do universo, abraça-la e comungar com ela.
Meu encontro com a Substância Criadora é pelo orgasmo, motivo do outros me rejeitarem, por eu amplio minha potência do ser em uma explosão simples e vivida dos meus desejos.
Sentia-me um inseto, sim, algo desprezível, até entender que eu olhava para mim do modo como eu imaginava os outros olhando, pensava em mim como inseto, pois achava que os outros assim viam, me condenava pelo suposto julgamento dos outros sobre mim. Estava em uma prisão sem grades, correntes, ou portas, condenado pela força do meu próprio ódio sobre mim, me odiava, pois me ensinaram que odiar o que é diferente era o certo, o correto, por isso esse ódio sem fim e mortal sobre os meus sentimentos, meus desejos, meus afetos. Estava me destruindo, era uma morte lenta, como de uma barata após longo período sem comida, que se definha lentamente, arrastando seu corpo lento e quase decomposto pelo chão.
A maior dor que sentia não era os olhares dos outros, mas meu próprio olhar sobre mim, algo que não tem como expressar, me odiava, me condenava, não me aceitava, queria ser esmagado, envenenado, rasgado ao meio, jogado em um lixo e esquecido, ter meu corpo consumido pelas minhas irmãs larvas, comedoras de corpos em putrefação, queria ser desfeito, que nem pós sobrassem. Desejava ansiosamente o nada celestial, o fim, a luz branca que faria minha consciência apagar e não me lembrar, voltar para o pó das estrelas e ver a grandiosidade bela do universo, sem ter a consciência de quão belo ele é.
Escrevo agora, nem melhor ou pior do que estava ontem, somente diferente, dia de loucura em meio à lucidez, são dias loucos assim que me fazem escrever, pois os dias lúcidos me faz desejar o fim, sobrevivo na loucura, pois sem ela morreria. Escrita sem fim de algo que não sei bem para onde vai, saem turbilhões de palavras que tentam de forma vã expressar esse momento de transição entre o desejo profundo da minha morte e o desejo mais profundo ainda de viver. Escrevo tentando me entender para poder me explicar para os outros, não o que sou ou o que sinto, mas os motivos por ter sumido nos últimos dias, não ter vivido, não ter conseguido fazer o prometido, sinto vergonha toda vez que sumo pela vergonha de existir, vergonha da vergonha pela vergonha de ser.
Escrevo infinitamente, escrevo, coloco as palavras em um papel para que quem leia veja que não vives uma loucura sozinha, não tem um sentimento de solidão tão solitário como pensa, somos todas abelhas de uma grande comeia, formigas desse grande formigueiro, com a diferença de termos consciência disso, o que nos faz não seguir a rainha, mas construir nossas próprias vidas, nossos reinos, nossos desejos, somos livres e por isso mesmo, loucos.


D.C.R
Sorocaba 14/08/2015

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

´[DEVANEIOS: DESEJOS E TRAUMAS]

como libertar um corpo castrado pelos traumas sedimentados num inconsciente codificado em cenas familiares? por acontecimentos passados que mais parecem atuar como fantasmas da impotência?

vivi por muito tempo num ambiente familiar ultra-conservador, numa cidadezinha agrária do interior de S. Paulo com um pai tirânico e dominador... que me submetia e submetia minha mãe a torturas psicológicas. conforme fui crescendo neste nicho de violência fui produzindo um inconsciente repleto de forças de captura. fantasmas internos que teciam uma existência fadada a não existência, a impotência, a castração. cresci sem juventude, sem amor, fechei-me num mundo interno com baixa auto-estima, gordo e sem atrativos físicos e intelectuais para ser desejado por um ser qualquer. mas ainda sim, muito consciente de quem eu era em potência, apenas não dava vazão a sua efetuação.

ter crescido sem existência na Terra, me fez crescer enquanto força que subsiste em si mesmo e que faz acontecer. esta grande força com o nome de Desejo. de mudança e de transformação.

..o Desejo... se soubestes a potência de um desejar na mão de um tecelão..

penso no esquecimento como uma potência, a dobra de elevação da vida a novas paisagens existenciais. um esquecimento que transforma um pobre inconsciente tradicionalista e heterocodificado em Édipo, castrado na cena familiar, em um inconsciente político, de transformação social, de união, de pertencimento, o retorno do sentido natural da vida, de se viver em potência de acontecimento. a vida como uma obra de arte. bela e intensa.

não há potência de vida sem a transformação e sem a diferença. sem os devires que nos desdobram a novos vetores de produção existencial. falo isto no sentido interno, de quem nós somos, como também no sentido de transformação da sociedade... o movimento de um copus que se desfaz a todo instante para dar germe a uma nova identidade, deixando marcas de si no espaço e nos corpus. 

não há revolução social sem revolução do desejo. não há revolução sem uma transformação do desejo. o desejo não só modela a vida como modela quem nós somos. a potência está na virtualidade, todo fluxo energético cósmico [orgônio] encontra-se condensado na sua mente. temos a potência inata de fazer acontecer, de tecer realidade. digo que quanto mais damos vazão a quem nós somos em virtualidade, mais potentes somos... colocando o desejo em autoprodução de si mesmo. 

..então lhe pergunto: você deseja? você constrói realidade?


COLPANI, Felipe P.






terça-feira, 18 de agosto de 2015

[DEVANEIOS]

só te quero assim, perfeitx. mergulhar sob esta beleza alienígena. no desconhecido nonde se encontra todo nosso encaixa, nosso choque de partículas, tão cheio de intensidades. só te quero assim, perfeitx de tão imperfeitx. tortx-desarticuladx. 

um sentimento. um afeto. uma coagulação entre partículas desejantes que se atraem por forças das Natureza... puro acontecimento de Ser e Estar na Terra. o desejo nos autopreenche em sua perfeição de auto-acontecimento, cabe a cada singularidade saber remanejá-lo. 

de tudo que nos é sólido e se desmancha no ar, o desejo é a força que nos subsiste. em meu pior momento de vida, de dor, de descobrimento de minha Singularidade [momento que veio a se tecer justamente em fase de engenharia da pesquisa, o que acabou me gerando uma série de crises], fui me despertar da potência do desejo, da criação que se efetiva no real. 

eu diria que o desejo é um processo de tecer, de engendramento com carga energética que faz os acontecimentos tenderem a uma finalidade concreta. a produção virtual do corpo ainda é um território subterrâneo bastante desconhecido a razão demasiada humana. Spinoza estava bastante certo ao afirmar que ainda mal sabemos o que pode um corpo. o corpo existe com uma capacidade vital  e incrível de afetar e ser afetado. é pura potência de criação onde não há limitações, repressões, negatividades. 

o desejo me é algo majestoso. é a força primitiva reprimida em sociedade que estás a elevar e a efetivar a Vontade de Potência. as estruturas reprimem nosso elemento vital [orgônio-desejo-fluxocósmicodaSingularidade] porque sabem que é dele que se nutrem os novos corte da história.


enfim… apenas devaneios de um esquizofrênico solitário!

COLPANI, Felipe P.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Encontros


- Larga de ser assim, me agarra que você melhora! - falou o Amor para a Solidão.
Mas como poderia ela, a nobre senhora do vazio profundo, largar aquilo que lhe constituía e se juntar ao amor, que tão oposto a ele era.
- Não consigo, se deixar não serei mais eu!
O Amor sorri, um grande e belo sorriso, sem disfarçar de forma alguma a percepção irônica que teve da fala da solidão. Ela chateada fecha ainda mais a cara já ranzinza que possuía.
- Como pode ser tão grosseiro assim, rir da minha dor solitária e impossível de ser compartilhada, da minha infelicidade.
Ainda com o sorriso no rosto, o amor se aproxima da solidão, sua presença feliz e alegre a perturba “como pode alguém ser tão contente, felicidade de mais me causa enjoo” pensou ela, mas, na verdade, a solidão detestava qualquer tipo de felicidade, por menor que fosse.
- Mas nem sempre foi Solidão, já se chamaste Alegria e antes disso foste Saudade, também já se chamou Amor!
- Não seja ridículo, como se isso fosse possível para você, nunca fui outra coisa além de Solidão!
O Amor com sorriso simpático, com sua áurea que imanava uma luz vermelha, chega mais perto de solidão. Aquela aproximação toda incomoda a solidão, “como pode esse ser chegar tão perto assim que atrevimento, não sabe que sou a solidão e isso implica ficar sem falar com ninguém!”, pensa ela revoltada com tamanha ousadia do amor.
- Eu já fui Tristeza, antes era Solidão, pouco antes disso fui Alegria, antes era Inocência, agora sou o Amor. Todos nós nos modificamos nos tornamos aquilo que sentimos ser, refletimos fora o que grita dentro.
- Amor, tu és realmente ridículo, acho que não tem sentimento mais ridículo que você! - Solidão parece cada vez mais Impaciente e Transtornada com ser tão chato e intrometido – Então me diga Amor, como deixou de ser Tristeza para se tornar Amor?
- Simples, me encontrei com você!
Solidão olha para ele transtornada, já estava deixando de ser Solidão para ser Ódio, ficou profundamente irritada com tamanho disparate que aquele ser “ridículo, insuportável, sem lógica...”, lhe dizia.
- E como eu, a senhora Solidão, transformei o nobre senhor Tristeza em Amor? Qual foi a mágica que eu fiz?
- Nenhuma. - Responde amor com um sorriso ainda mais belo no rosto, o que deixou solidão Consternada – Apenas nos encontramos!
- Então quer dizer que ao se encontrar comigo, você simplesmente mudou? - Aquela conversa toda fez Solidão quase explodir em Ódio! - Então quer dizer que se eu largar essa minha Solidão, te agarrar, serei transformada em Amor também?
- Não sei. - diz Amor pensativo – só sei que igual não ficará, não tenho a capacidade de fazer a mudança para lado nenhum, só lhe ofereço o encontro, o que mudar depende do que o encontrar fará com você!
A Solidão olha para Amor pensativa, “não é que tem um sorriso bonito”, fica Consternada com o próprio pensamento, por um instante, quase que uma microfração de tempo, Solidão virou Vontade. Isso era impossível, como assim, Solidão não poderia ser também Vontade. Mas Vontade foi crescendo em Solidão, vontade de abraçar o Amor, de sentir seu calor, de sentir seus braços, a textura de sua pele, seus lábios, “como será que são os beijos do Amor?”.
Algo parecido com uma onda elétrica explode em seu corpo, quando percebe Vontade está beijando Amor, um beijo tão forte, profundo, que faz o corpo de Vontade aquecer, parece que a Vontade iria se incendiar de algo que não entendia o que era. Quando percebeu, Vontade, que até agora pouco era Solidão, tinha se transformado em Paixão, mas não qualquer Paixão, era agora Paixão Desejante, uma singularidade muito forte, que pode vir um pouco antes do Amor.

D.C.R
17/08/2015


sábado, 15 de agosto de 2015

D


Sempre achei o amor algo ridículo, não sei o motivo desse meu desprezo profundo pelo amor, sentimento tão idiota, quem ama geralmente fica abobalhado, não pensa racionalmente, faz coisas estúpidas. Qual é o significado de enviar flores para alguém? Ou caixa de chocolate? Ou então cartas, bilhetes, cartões? Coisas completamente sem sentido. Uma amiga me dizia que eu era a-romântico, ou seja, incapaz de sentir qualquer sentimento romântico por alguém, engraçado, esse povo gosta de arrumar nome pra tudo. Estava junto com os assexuais, ou coisa do tipo...
Achei tudo isso um desperdício de tempo, para que definir o que é que sou, o que sinto ou que deixo de sentir? A nomenclatura de tudo era cansativo, para que nomear? Tinha um amigo gay que não curtia penetração, fazia a guinagem, algo relacionado ao amor lésbico, ou seja, sem a necessidade de ter um pau entrando em algum lugar. Mas cada um sabe como é a vida que quer levar, a minha eu queria com muito sexo e nenhum amor. Ficar apegado a uma pessoa, sentir falta ou vontade constante da presença dela era algo que me deixava enjoado só de pensar. Não precisava nomear isso...
Apesar que o sexo para mim não era algo que desejava com frequência, preferia outras coisas, diziam que era assexual, não sei... realmente nomes pra que? Não sei se eu me encaixo nessa classificação, mas só gostava de sexo quando estava com muita vontade, gostava de fazer com algumas parceiras e parceiros que tinha conhecido durante esses anos e aceitavam minhas luas e vontades. Eram contratos de prazer, a gente ligava um para o outro, se os dois corpos estavam afim rolava, se não, era mais uma saída para conversar.
Em uma dessas saídas para conversar, uma amiga levou D, esse era o nome da pessoa. Trato aqui como pessoa pois D não se defina nem como homem ou mulher, era não “binaries”, como me explicou, preferia a indefinição, qualquer um dos dois papéis para D era ridículo. Tanto que de fato era difícil definir como designaram D ao nascer, se homem ou mulher, usava roupas que serviriam para os dois, não aparentava ter seios, os quadris não eram largos, não parecia ter barba e o cabelo curto deixava seu rosto sem um desenho definível.
A indefinição de D me era encantadora, despertou em mim um sentimento que não sabia como definir, conversamos por horas sem para, a minha amiga que tinha trazido D se foi, fiquei responsável por levar D para casa. Eram quase quatro da manhã, o bar fechando, mas a conversa continuava incrível. Pagamos a conta e D me convidou para entrar quando parei na porta de sua casa. Me preparou um café, conversamos mais, eram dez da manhã e ainda estávamos ali, falando, sobre tudo e nada, tinha momentos que ficávamos um olhando para o outro.

Então percebi que estava amando D, pois só poderia ser isso esse sentimento que sentia por aquela pessoa maravilhosa que estava comigo, no chão da sala, as dez da manhã de um sábado, falando sobre o sol que cortava as cortinas da sala e como ele gerava uma luz bonita sobre a mesa de centro. Nos beijamos, fixemos amor. Fiquei em sua casa até a noite, depois foi para a minha. Passamos seis meses nesse um dia lá outro cá, até que resolvemos morar na mesma casa. Casamos. Faz dez anos, mas acordo querendo que D seja a primeira pessoa a ver de manhã e a última de noite, escrevo cartas, poesias, bilhetes, faço café da manhã... Hoje entendo o que é amor... D é militante, me ensinou a importância das nomenclaturas, das definições, da ação política, com D encontrei as respostas, perguntas e o mais importante, alguém com quem dividir a vida.
D.C.R
Sorocaba, 15/08/2015

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

[O AMOR]

o amor é a força desejante de elevação e afirmação que pouco condiz ao corpo, a matéria. 

o amor refere-se a conexão entre dois corpus que coabitam o mesmo Desejo, a mesma Vontade de efetuação. é um princípio cósmico, um desdobramento natural que envolve os modos singulares que coabitam a condição humana, com raízes desconhecidos a nossa razão, pois não há código capaz de raciocinar o amor. o amor é uma força a ser sentida, vivida e refletida entre dois corpus que se nutrem virtualmente, formando uma mesma Singularidade. 

é uma produção a ser tecida, criada e mantida no agenciamento afetivo...  o amor, a priori, fertiliza-se na virtualidade em face da conexão entre duas almas que se misturam e que passam a tecer uma mesma paisagem desejante. da virtualidade, ele passa a desdobra-se a materialidade e logo, a efetivação real. 

o amor se expressa como uma automanifestação eterna de beleza da vida - perfeição divina contemplada pela Singularidade. se expressa como uma realidade espiritual do Desejo, onde o eu passa a fragmentar-se em afetos e momentos sob uma união divina. 

quando há desejo, o amor se tece sob um movimento próprio, criando as próprias condições de perseverança em nossa Ser, a caminho das verdades eternas, do equilíbrio e da beleza que é se viver sob um Ética dos Afetos, nos conduzindo a uma nova dimensão de ser e estados de consciência, produções virtuais próprias do ato do amor. o amor é como uma droga e estás a liberar diferentes estados de consciência sob correntes de intensidades que atravessam o Desejo.


                                                  COLPANI, Felipe P.



domingo, 5 de julho de 2015

>>Sem pressa...

O mundo corre e eu paro,
não quero correr,
na lentidão me modifico e modifico o mundo;
Quem quiser que corra,
quem quiser que voe,
mas em tempos que todos desejam ser foguetes,
serei eu andante,
quero meus pés na terra...
cada passo uma respirada,
cada respirada uma olhada,
cada olhada um novo mundo...
Não tenho pressa...


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Rascunho sobre qualquer coisa II: Pós-humano ou retorno ao humano?




Estava pensando, não que eu seja um defensor ou estudioso, muito menos um antagonista do conceito, li pouco sobre o assunto, mas tem alguns pontos que me causam certo desconforto. Mas só para reflexão, vou utilizar do cinema para acalmar essa mente conturbada. Tem dois filmes que acho incríveis, melhor, um filmes e um seriado, Trancedence e Stark Trek: A nova geração, para pensar isso.

Em Trancedence se busca a ampliação da mente humana pela maquina, em Star Trek Data, um androide, busca a humanização pelo afeto. O que vemos no filme é na verdade a humanidade sendo abandonada quando a mente se torna a maquina, a consciência pura sem afetos do corpo, no seriado o corpo humanizado pelos afetos, compreende o que é então a existência humana.

O pós-humano ciborgizado, lembra-me muito mais os Borges, vilões do seriado que dominam, assimilam e retiram das pessoas toda a possibilidade de singularidade, seguindo apenas a vontade da rainha, se tornam abelhas maquinizadas. Quando penso o rizoma dos afetos, vejo muito mais o Sense8, a conexão profunda entre corpos, existências, vidas, isso me leva a pensar que o caminho não deve ser a technical apparatus, mas uma reconexão com Gaia, a vibração dos corpos orgânicos, das potências subatômicas, dos fluxos cósmicos. A re/encarnação e o re/encantamento da vida!

D.C.R.

domingo, 14 de junho de 2015

Lições da província de Terra Rasgada: I Não jogue os velhos jogos em novas revoluções...


Em Terra Rasgada, essa província monarquista, onde as mesmas nobres famílias comandam a séculos, ser pós-moderno se tornou sinal de subversão. Frente ao arrocho sofrido pela frente conservadora, os movimentos sociais, que deveriam ser a potência do povo em ato, para a construção de uma sociedade sem opressão, recua, quando o Rei movimenta seu bispo e peões no tabuleiro político.
A doce caminhada agora é de um gado bem amansado, com medo o berrante tocado, rumo a vontade servil. Em mundo onde não se ensina a ser livre, o oprimido que carrega desejo de ser opressor, oprime então o que é mais oprimido que ele.
Mas em mundo onde Chico, o que canta Geni, já foi chamado de quadrado, o Movimento Democrático, esse hoje vice-rei da nação tupiniquim, já foi revolucionário, onde o José, aquele hipocondríaco, já defendeu reforma agrária, não deve se esperar grande coisa ao romper da Aurora, só mais uma montoeira de corpos e sangues, gente utilizada para que os aristocratas, subescalão poderio, continuem suas regências em seus pequenos cochos. 
Não vai ser hoje a transvaloração de todos os valores, nem o crepúsculo dos velhos ídolos.
Um povo educado pela fissura nas imagens rápidas, sem sentir o esplendor dos afetos, sem viajar nas palavras, sem quebrar os textos, sem furar os muros da moral, nem pixar as paredes de hipocrisia, não se pode esperar de um povo assim, nada além da velha marcha do gado.

O que fica de lição: Maquinas de guerras desejantes, fruto da potência do coletivo, da construção dos afetos, da expurgação das prisões, não se fará enquanto ficarmos presos aos velhos medos e velhos jogos de tabuleiros, se faz necessário virar a mesa, jogar as peças fora e inventar um novo modo da mobilização social, desejante, potente, afetivo, revolucionário, devir.

D.C.R

T.E.X.T.O.

Texto
Texto território,
território ocupação,
fazer ocupação
ocupar texto território
Ocupar texto território transformação
texto território ocupado
texto território utilizado
texto território transformado

Língua trança a transa do poema
Linguagem profana que encanta Moema
Moema espaço língua viva,
Transborda Moema a transa da vida.

Língua texto pintado no corpo
Trançado nas pernas
Marcado no gosto.
Linguagem profana, de puta e bicha
Linguagem da vida, maldita vivida,
Linguagem desejo, orgasmo puteiro,
Linguagem puta, amor orgasmático
Linguagem, que se foda o gramático...

A ortografia do corpo pulsante,
Desterrado, território vivente,
Ortografia das experiências desejastes,

Fluxo infinitos de momentos profanos/perfeitos
Poemas puto profano de desejos orgasmáticos!

D.C.R

sábado, 13 de junho de 2015

Potência para os que existem

Cada dia que vai
Seus minutos de relógios sem lógica,
Não marcam o meu tempo de vida,
Só os acúmulos de corpos inexistentes,
A vida não é marcada em tempo,
É o acumulo de espaços que faz a vida,
É a somatória de territórios,
A junção de experiências,
Interligações de afetos,
Construções existenciais,
Desejos, orgasmos, alegrias...

Tempo é a ilusão para os que não vivem,
A experiência, afetos, desejos, orgasmos, alegrias,
A potência para os que existem.

Não marco mais o tempo,
Mas sinto as experiências...

D.C.R.

Corpo experiência

Um corpo
Sensações explodem,
Não sei,
Sinto que existo.
Vibra a existência
                Com muita resistência
Vem à perseverança
                Vai que um dia cansa...

Um corpo vibra
Tomado de milhares de sensações
Não sei exatamente o que,
Não sei o que sentir,
Só sinto.

Flui em minha existência
Nem sei para onde,
Mas sinto a intensidade de uma existência
Não sei por quanto tempo,
Mas que espero o infinito do momento...

D.C.R.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

[DESEJO]

de.sid.erio >> significa estrela.

. observar as estrelas;

. as constelações inter-estelares que simbolizam a perfeição. a luz. o renascimento. o céu. o divino. a proteção. a renovação. o equilíbrio e a sabedoria cósmica;

. seguir o desejo, observando a força cósmica que nos guia e nos impulsiona ao infinito; 

. a força cósmica e misteriosa que representa a criação incessante e tudo o que os nossos olhos captam;

. a força que contempla desde a comunhão dos princípios subatômicos à atração dos astros, dos planetas, dos átomos;

. força do amor e das intensidades, gerada pelo amor infinito de Deus, o Criador.


[PRODUÇÃO DESEJANTE]

O ser humano torna-se impotente pelo motivo que estás sempre a desejar a falta, o vazio. Quando na verdade, o desejo é puramente preenchimento. Nada falta ao desejo.

A falta absoluta é só um artifício para enfileirar os corpus em coma. mude seu pensamento. Seja contemplado pela natureza enquanto ela acontece em ato. Organize seu micro-sistema operacional para um equilíbrio em sincronia com os fluxos e dados que percorrem sua microcosmos.

O nosso sistema nervoso possui uma singularidade capaz de comandar o poder organizador infinito, através da intenção consciente. A intencionalidade, na espécie humana, não se encontra estruturada e rigidamente codificado numa rede rígida de energia e informação. ela possui uma flexibilidade infinita e estás a todo instante se interconectando e transmutando-se no rizoma de afetos que percorre o campo social.

Através do autocontrole do desejo e das linhas evolutivas dos possíveis que percorrem o Universo, podemos comandar as leis da natureza, de forma a realizarmos os nossas potências e desejos. na Física Quântica, não há separação entre as fronteiras, há apenas conexões e simbioses.

A produção existencial se funde a partir da interconexão entre os fluxos que percorrem o Cosmos [que transmitem energia, ondas de frequência e perturbações em seu campo quântico] com as fluxos de intencionalidades que transmitem forma em nosso inconsciente, com potencial de serem desdobrados ao fora, através da produção desejante.

Portanto, nada falta ao desejo. Desejo é sempre preenchimento, sempre interconexão sob um corpo biofísico e infinito. O que devém a gerar vazio é a experiência subjetiva. Portanto, tome autoconsciência de sua potência para um emponderamento de sua natureza autoreguladora.

COLPANI, Felipe Pancheri.

[O GRANDE IMPÉRIO DA MULTIDÃO: AS AMAZONAS, BÁRBAROS E OS SELVAGENS]

O Retorno Mutante do Movimento

As forças bárbaras, selvagens e as guerreiras amazonas são xs filhxs da mutação e contornam as frentes de transgressão à organização social e política do Império Patriarcal-Capitalista. Atuam como potentes frentes de transgressão as fixações dos micro-fascismos que se impregnam nas engrenagens da máquina social, impedindo a passagem de novos fluxos evolutivos.

As tribos nômades representam o contraste entre xs heroixxs híbridxs e xs personas domestificadxs e civilizadxs. São os indivíduos livres; meio animal, meio humano; estranhos híbridos que contornam em seu DNA a polimorfia que distorce o eu à esquizofrenia mutante. São seres livres das correntes da pólis tecnológica.

O tão esperado encontro da natureza selvagem [silenciada a ferro e fogo pelas estruturas imperalistas do homem branco] com a civilização tem gerado uma intensificação no desbravamento de novos espaços-tempos expressos pelo caos e pela desordem, permitindo a passagem de novas realidades >> um jogo de risco, porém necessário para a transformação efetiva.

A partir da inorganização, as linhas virtuais se conectam, permitindo a corrente de fluxos evolutivos para novas cristalizações. A finalidade do Império da Multidão é de bifurcar a moralidade universal a novas constelações virtuais [plano tático de possíveis], preenchidas por um conjunto de intencionalidades com grande potencial de novas cristalizações. novos eixos macropolíticos.

Uma nova teia de formações feitas de peças e pedaços há de surgir pela cooperação maquínica entre as forças mutantes, em uma multiplicidade de partículas e fluxos co-aglutinados que devém dar materialidade a nova máquina social, que já vem sendo sedimentada, porém a passos curtos.

As linhas de evolução produzem realidades a partir da conexão a um complexo campo bioquímico de forças políticas e desejantes. Os guerreiros nômades contornam a grandeza espiritual da grande revolução social. Um novo marco na histórica e uma continuidade na aventura humana, congelada pelas estruturas modernas.

O império mutante está a desdobrar o motor da máquina totalitária capitalista a um novo conjunto de próteses e stratus antropomórficos [valores e afetos ao corpus sem organismo e prostético de Gaia]; gerando, por sua vez, um novo centro de gravidade e energia a Terra.

O processo de transição de regime da máquina social, demandada pela produção de uma nova consciência global, deve ser fecundada por correntes de gravidade agenciadas entre as forças sociais que estão preocupadas com a mudança social e com um novo compromisso ético-político, gerando uma potente cooperação maquínica.

O agenciamento entre a tecnociência, a filosofia e os movimentos squizo-revolucionários [feminismos, os conjuntos políticos socialistas e anarquistas, as lutas identitárias de raça, etc] estão a gerar uma reforma cultural para a liberação das correntes virtuais e desejantes congeladas pelas estruturas no decorrer da história humana. E também, uma cura do corpus de Gaia, envenenado pela ganância humana. dando uma continuidade a aventura [pós]humana.

Colocando as estruturas sociais em seu devido fluxo evolutivo, as forças mutantes do Império da Multidão devem cooperar entre si para a invenção de novas catálises simbólica para a organização de um novo sistema operacional a nova máquina social >> novos códigos, novos valores, novas humanidades.

COLPANI, Felipe Pancheri.

terça-feira, 2 de junho de 2015

[PRODUÇÃO MENTAL. ACONTECIMENTOS. LINGUAGEM]

<<03 princípios básicos da produção existencial>>

[01] mente e corpus não se separam. não são estruturas unas e separadas entre si. são fundidas sob uma maquinação só. portanto, corpus e mente se fundem numa mesma produção virtual - mental, autopreenchida por um conjunto móvel de acontecimentos;

[02] somos puramente acontecimentos. Estamos a todo instante encarnando em acontecimentos que preenchem a nossa natureza imanente [nossa INCORPORIEDADE, ou o que a máquina abstrata de Freud veio chamar de inconsciente!]

E de repente tudo vira chama. E a chama queima, arde intensamente, numa intensidade arrebatadora. Esta chama pode vir a se metamorfosear num dança estranha, com um doce riso triunfal. A mente é isso >> uma fábrica autoprodutora de imagens em movimento que está a todo instante se transmudando de frequência, potência e forma [i.d].

No seio desejante dos acontecimentos, minha forma se perde e se metamorfoseia numa coagulação de átomos, partículas, moléculas, paisagens e almas que se tatuam a mim. Cada acontecimento é autoproduzido no seio dos encontros. dos afetos. das conexões entre as singularidades. Os fluxos percorrem uma transversalidade heteromórfica que perfura qualquer fronteira;

[03] o acontecimento pode ser desdobrado ao fora por meio da linguagem. a linguagem nos dá a potência do enunciado >> o desdobramento da produção incorpórea - mental ao fora [a dobra]. É o que nos dá a diferença e atualização da nossa virtualidade [produção mental].

No desdobramento [entre mente-espaço] que retiramos o sentido dos acontecimentos. Entretanto, a cadeia simbólica constitutiva da nossa linguagem codifica os fluxos dos acontecimentos, inserindo-os à quadros de normatização do campo social.

COLPANI, Felipe Pancheri.

[FILOSOFIA ii]

O motor da Filosofia é o Desejo. O mecânico tem como potência a força quântica da produção de novas realidades, desdobrada a partir de um plano de possíveis que emerge de sua natureza imanente.

Ele opera na harmonia entre as partes. na regulação do campo bioquímico de forças sociais que estão a gerar atritos e desarranjos na superfície.

A Filosofia pertence ao plano produtivo do Desejo, num movimento de inflexão sobre si que devém a se desdobrar ao fora, seja por meio de conceitos ou de novos modus de pensamentos. Colocando as estruturas e engrenagens da máquina social em seu devido fluxo evolutivo.

O olhar do filósofo precisa se rebater ao real enquanto ele acontece em ato. Para isso, é preciso tomar autoconsciência de sua potência e sobretudo, do PHYLLUM MAQUÍNICO.

O phyllum é o movimento latente das máquinas do Cosmos. o impulso vital da Singularidade - do processo evolutivo que precede a ontologia do ser.

O empoderamento do fluxo evolutivo, devém a perfurar as próprias estruturas do corpo, nos colocando em contato com a Natureza - a Indústria Côsmica autogeradora dos planos de possíveis, o que as forças hegemônicas vieram a patologizar como delírio ou loucura. Mas são apenas automanifestação da Natureza enquanto ela acontece em ato, se manifestando em nossa mente como INTUIÇÃO.

Na mecânica quântica da criação, o filósofo, o cientista ou o artista, captam estes fluxos que percorrem nossa natureza imanente e os materializam, desdobrando-os ao espaço geográfico, divergindo o atual estado das coisas.

COLPANI, Felipe Pancheri.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

[TRANSBORDAMENTOS]

[A.M.O.R]

o amor é um mármore a ser esculpido
nas dobras do passado,
transborda-se sucumbindo.

as falas gaguejam,
junto em face ao semblante tímido
como quem suspira:
será toda luz uma mentira?



- - - 



[SOLIDÃO]

a solidão é um labirinto sem início, sem fim
me aparece nas tardes vazias:
quando dou-me em declínio de si.

também nas madrugadas
na amplidão vazia do céu inter-estelar
quando me dou navegando entre os astros
minha grande morada cósmica
grande legislador do espaço. 

na solidão, eis que se solidificam as grandes máquinas
esculpidos pelas forças que percorrem minha natureza
gritos. silêncios. imagens. toques. passados e futuros:
na solidão, tudo se mistura, tudo se coabita,
tudo vira arte. 

é, a vida é mesmo uma grande obra de arte!

[AMOR E REVOLUÇÃO!]

sei o que se pass4 por sua natureza. vagamos pelo mesmo labirinto virtual. seguindo o fio de Ariadne a procura de redenção. nadando em meios a serpentes venenosas. minot4uros. gritos e vertigens. 

parece que nos territorializamos na superfície onde coabitam os últimos sobreviventes da era sombria. ainda vivemos uma extensão da Idade Média. 

nos colocam a vagar por um labirinto interno com forças de captur4 que estás sempre a nos fixar em duelos internos - procurando por saídas. mas talvez não exista saídas. apenas meios transbordantes. 

lidamos com uma multiplicidade de forças reativas que nos colocam em coma. são forças poderosas. codificad4s em um longo período histórico por conjuntos hegemônicos: patriarcais e capitalistas. 

perdemos a potência da vida em decorrência da organização caótica de nossos corpus. mas não podemos ceder. há de resistirmos. há de vencermos. eu sei. eu sinto. sinto a revolução queimar sob minha chama pioneira.

todos estes monstros e falsos imperadores infiltrados em nossas entranhas subterrâneas nos dissip4m do que realmente há de mais potente na vida. esquecendo que há vida lá fora. há pessoas realmente boas. enérgic4s. revolucionárias. que vivem pela e para a mudança no outro e no mundo 

virtudes como amor. lealdade e cooperação é o que deve sobreviver em tempos apocalípticos. o amor talvez seja a virtude compartilhada mais potente de todas. ela rompe fronteir4s. desloca territórios. faz a revolução. todos os grandes deuses, heróis e filósofos eram contemplados por esta dádiv4. o amor que eu digo não é este amor que nos vendem - supérfluo e banal. falo do desejo de viver. de fazer acontecer. de criar novas realidades. 

não há mais que dissiparmos força desejante nestes simulacros do campos social [trabalho, família, papai-mamãe...]. há de dissiparmos em novas potências para que novas zon4s mutantes surgem. o desejo revolucionário encontra-se adormecido no aqui e agora. toda a mentira de um ideal há de ser dissolvido em face dxs filhxs da mutação que se encontram entre nós. o Império da Multidão tem acordado e mostrado sua forç4. o momento é o de agrupar pelo afeto. criar novas redes. proliferar e fazer valer a revolução. as forças bárbaras e selvagens contornam o espírito da mutação. o anúncio de novos dias. novas suavidades. 

COLPANI, Felipe Pancheri.





[DEVANEIOS ii]

hoje pela manhã. 
enquanto as gotas de orvalho percorriam pela minha natureza selvagem. 
me senti conectado a você. 
juntos. contemplávamos o amor. a união dos corpus. 

era uma espaço-tempo tão real que por alguns segundos esqueci do mundo e de si. 
mergulhei-me em devaneio. 

penso que a pureza do amor encontra-se nestas singularidades da mente. 
que surgem do acaso e perfuram com a nosso corpo imóvel. 

no amor, me sinto elétrico. vivo. vibrátil. 
há um delírio em estar com você. 
por mais que eu evite. crie correntes. 
ele estás sempre a bifurcar com as estruturas que me separam de você. 
me acalma. me desacelera. 
desacelera meu mundo a frequência imperceptíveis. 



[DEVANEIOS]

penso que eu seja sua cura,
sua resplandecência em meio ao todo c4os

               o anticristo tatuado no alma
               estampado na parece oca do um território inundada de serpentes 

então te assombro e te empurro para o abismo
o abismo da s4lvação, não da derrota

              enquanto adormece na borda do precipício
              apen4s aguardo pelo dia da redenção. 




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você é o meu afeto
o instinto selvagem que luta para se persever4r em minha natureza
e que aumenta a minh4 potência de existir

               e aí, tudo parece florescer de você
               até mesmo os máquinas mais sombrias e temíveis

a máquina de guerra mais poderosa
impulsion4da pela física do amor

             você tem o elixir no qual preciso
             então injete-me direito no peito
             e assim brindaremos a nova era
             um brinde a nov4 era
             drones cibernéticos.