<<03 princípios básicos da produção existencial>>
[01] mente e corpus não se separam. não são estruturas unas e separadas entre si. são fundidas sob uma maquinação só. portanto, corpus e mente se fundem numa mesma produção virtual - mental, autopreenchida por um conjunto móvel de acontecimentos;
[02] somos puramente acontecimentos. Estamos a todo instante encarnando em acontecimentos que preenchem a nossa natureza imanente [nossa INCORPORIEDADE, ou o que a máquina abstrata de Freud veio chamar de inconsciente!]
E de repente tudo vira chama. E a chama queima, arde intensamente, numa intensidade arrebatadora. Esta chama pode vir a se metamorfosear num dança estranha, com um doce riso triunfal. A mente é isso >> uma fábrica autoprodutora de imagens em movimento que está a todo instante se transmudando de frequência, potência e forma [i.d].
No seio desejante dos acontecimentos, minha forma se perde e se metamorfoseia numa coagulação de átomos, partículas, moléculas, paisagens e almas que se tatuam a mim. Cada acontecimento é autoproduzido no seio dos encontros. dos afetos. das conexões entre as singularidades. Os fluxos percorrem uma transversalidade heteromórfica que perfura qualquer fronteira;
[03] o acontecimento pode ser desdobrado ao fora por meio da linguagem. a linguagem nos dá a potência do enunciado >> o desdobramento da produção incorpórea - mental ao fora [a dobra]. É o que nos dá a diferença e atualização da nossa virtualidade [produção mental].
No desdobramento [entre mente-espaço] que retiramos o sentido dos acontecimentos. Entretanto, a cadeia simbólica constitutiva da nossa linguagem codifica os fluxos dos acontecimentos, inserindo-os à quadros de normatização do campo social.
COLPANI, Felipe Pancheri.
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