segunda-feira, 1 de junho de 2015

[HIBRIDISMO. MUTAÇÃO. COOPERAÇÃO MAQUÍNICA]

A grande dificuldade da tecnociência hoje é a de articular os arranjus sociais nos processos tecnoculturais da mutação. pois, pelo congelamento dos fluxos pelo estruturalismo, passamos por um descompasso tremendo de temporalidades.

Hoje, já emergimos numa superfície com uma natureza de terceira espécie: prostética e híbrida. Onde coabitam uma heterogênese de multiespécies, que tem perturbado inclusive, os antigos conjuntos de espécies homogêneas, tidas até então pelo estruturalismo como produtos universais. entretanto, os conjuntos duais se multiplicaram e se metamorfosearam.

A mistura entre as espécies geram híbridos, seres mutantes, que são capazes de se procriar e transmitirem a seus descendentes, de geração por geração.

Múltiplas organizações nômades vieram a se combinar, o que tem gerado seres com uma disfunção genética que os colocam em mutação de sua identidade materializada no decorrer da história humana. A mesma história patriarcal responsável por congelar o fluxo evolutivo de Gaia. O momento agora é o de dar continuidade a mutação das espécies.

A fertilidade das variedades contornadas nas espécies não é universal, como julgou a biologia tradicional. a biologia molecular nos mostra que cada ente de Gaia possui um código genética [e social] singular e híbrido, gerido no seio de um conjunto de variedades que o difere das outras singularidades.

A espécie universal humana se cristaliza numa forma como se estivesse lá o tempo todo, e isso não quer dizer que as espécies não podem ser reconstruídas sob novas formas mutantes, que se agenciam aos atuais processos tecnoculturais.

Hoje, passamos a vivenciar o surgimento de estranhos híbridos tecnoculturais: clones, robôs, seres com superpoderes maquinados em laboratório etc. Os filhos da mutação possuem uma capacidade incrível de transferir sua virtualidade a suas próprias próteses, dando-lhe um conjunto de possíveis e imagem-movimento.

A gama de experiências maquínicas deve trazer novos arranjus, tanto a nível do corpo como do espaço. A produção espacial inter-estelar está a se tornar uma realidade próxima e viável. Não sabemos muitos bem para onde vamos e o que as contingências tecnocientíficas nos proporcionará, mas podemos tecer alguns planos de possíveis, o que já vem sendo feito pelas forças hegemônicas.

A Aldeia Global nos territorializa em um espaço em rede, onde os espaços e as tribos passam a se coabitar e se inter-sincronizarem sob a mecânica da desterritorialização, que pluga a nossa mente nos tentáculos maquínicos da rede social global.

As máquinas virtuais da mutação tecnocultural nos permite uma eficiente cooperação maquínica, pois conectam todos os modus de Gaia sob um mesmo molde espacial. permite agrupar pelo afeto e bifurcar as estruturas de poder.

A cooperação pode vir a acentuar o processo de mutação, logo, o processo de revolução social através da interconexões entre as tribos espalhadas pelo globo. Enfim, foi-se decretado uma mutação global que se propaga para além do previsto, do estruturado: uma restruturação do espaço e de estar no mundo para além dos stratus reacionários da modernidade patriarcal-capitalista.

COLPANI, Felipe Pancheri.

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