Em Terra Rasgada, essa província monarquista, onde
as mesmas nobres famílias comandam a séculos, ser pós-moderno se tornou sinal
de subversão. Frente ao arrocho sofrido pela frente conservadora, os movimentos
sociais, que deveriam ser a potência do povo em ato, para a construção de uma
sociedade sem opressão, recua, quando o Rei movimenta seu bispo e peões no
tabuleiro político.
A doce caminhada agora é de um gado bem amansado,
com medo o berrante tocado, rumo a vontade servil. Em mundo onde não se ensina
a ser livre, o oprimido que carrega desejo de ser opressor, oprime então o que é mais
oprimido que ele.
Mas em mundo onde Chico, o que canta Geni, já foi
chamado de quadrado, o Movimento Democrático, esse hoje vice-rei da nação
tupiniquim, já foi revolucionário, onde o José, aquele hipocondríaco, já
defendeu reforma agrária, não deve se esperar grande coisa ao romper da Aurora,
só mais uma montoeira de corpos e sangues, gente utilizada para que os
aristocratas, subescalão poderio, continuem suas regências em seus pequenos
cochos.
Não vai ser hoje a transvaloração de todos os valores, nem o crepúsculo dos velhos ídolos.
Um povo educado pela fissura nas imagens rápidas,
sem sentir o esplendor dos afetos, sem viajar nas palavras, sem quebrar os
textos, sem furar os muros da moral, nem pixar as paredes de hipocrisia, não se
pode esperar de um povo assim, nada além da velha marcha do gado.
O que fica de lição: Maquinas de guerras
desejantes, fruto da potência do coletivo, da construção dos afetos, da
expurgação das prisões, não se fará enquanto ficarmos presos aos velhos medos e
velhos jogos de tabuleiros, se faz necessário virar a mesa, jogar as peças fora
e inventar um novo modo da mobilização social, desejante, potente, afetivo,
revolucionário, devir.
D.C.R

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